25 de jun de 2013

Capitulo 21

DO LADO DE FORA, O TEMPO TINHA FICADO FRIO. E estava garoando. Os postes de luz queimavam uma cor lúgubre e lívida que não adiantava muito contra a espessa névoa fermentando pelas ruas. Eu saí apressadamente do Blind Joe’s, grata por ter olhado a previsão do tempo mais cedo e trazido o meu guarda-chuva. Enquanto eu passava por janelas de fachada, eu vi multidões de reunindo nos bares. Eu estava a algumas quadras do ponto de ônibus quando a sensação gelada agora-familiar beijou a minha nuca. Eu sentira na noite em que tive certeza de que alguém olhava pela janela do meu quarto, no Delphic, e novamente logo antes da Miley sair do Victoria’s Secret usando a minha jaqueta. Eu me curvei, fingi amarrar meu cadarço, e lancei um olhar clandestino ao redor. As calçadas em ambos os lados da rua estavam vazias. A luz do semáforo de pedestres mudou, e eu sai do meio fio. Me movendo mais rápido, eu enfiei minha bolsa de mão sob meu braço e esperei que o ônibus estivesse no horário. Eu cortei caminho por um beco atrás de um bar, passei deslizando por um amontoado de fumantes, e saí na próxima rua. Correndo devagar por uma quadra, eu desviei-me em outro beco e circulei de volta o quarteirão. A cada poucos segundos eu checava atrás de mim. Eu escutei o ruído do ônibus, e um instante depois ele circulou a esquina se materializando da nevoa. Ele diminuiu a velocidade contra o meio-fio e eu entrei nele, me dirigindo para casa. Eu era a única passageira.
Tomando um assento a diversas fileiras atrás do motorista, eu deslizei para ficar fora de vista. Ele sacudiu a manivela para fechar as portas, e o ônibus rugiu pela rua. Eu estava prestes a dar um suspiro de alivio quando recebi uma mensagem de texto da Miley.
onde vc tá?
PORTLAND
, eu mandei de volta, VOCÊ?
eu tb. numa festa com jules e o elliott vamos nos encontrar.
por que você está em portland?!
Eu não esperei por sua resposta; eu liguei diretamente para ela. Falar era mais rápido. E isso era urgente.
“Bem? O que diz?” Miley perguntou. “Está em clima para festejar?”
“A sua mãe sabe que você está numa festa em Portland com dois caras?”
“Você está começando a soar neurótica, querida.”
“Eu não acredito que você veio para Portland com o Elliot!” eu tive um pensamento submerso. “Ele sabe que você está no telefone comigo?”
“Para que ele possa ir te matar? Não, desculpa. Ele e Jules correram para Kinghorn para pegar algo, e eu estou passando o tempo sozinha. Eu podia contar com uma parceira. Ei!” Miley gritou de fundo. “Tire as mãos, está bem? T-I-R-E. Demi? Não estou exatamente na melhor das áreas. Quanto mais rápido, melhor.”
“Onde você está?”
“Espera aí... está bem, o prédio do outro lado da rua diz um-sete-dois-sete. É a rua Highsmith, tenho bastante certeza.”
“Estarei aí assim que puder. Mas não vou ficar. Eu vou para casa, e você vem comigo. Pare o ônibus!” eu gritei para o motorista.
Ele pisou nos freios, e eu fui jogada contra o assento na minha frente.
“Pode me dizer onde fica Highsmith?” eu perguntei a ele assim que cheguei no começo do corredor.
Ele apontou para as janelas nos lambris do lado direito do ônibus. “O oeste daqui. Está planejando ir a pé?” Ele me observou de alto abaixo. “Porque devo avisá-la, é uma vizinhança pesada.”
Ótimo.
Eu tive que andar por apenas algumas quadras antes que soubesse que o motorista do ônibus estivera certo em me alertar. O cenário mudou drasticamente. As antiquadas fachadas foram substituídas por prédios pichados com grafite de gangues. As janelas eram negras, trancadas com barras de ferro. As calçadas eram caminhos sombrios esticando-se até a névoa.
Um som lento e retumbante era trazido pela névoa, e uma mulher empurrando uma carroça com sacos de lixo entrou à vista. Seus olhos eram passas, pequenos e redondos como contas e negros, e eles contorciam-se na minha direção numa avaliação quase predatória.
“O que temos aqui?” ela disse por um buraco onde faltava um dente.
Eu dei um passo discreto para trás e apertei a minha bolsa de mão contra mim.
“Parece um casaco, mitenes, e um bonito chapéu de lã,” ela disse. “Sempre quis pra eu um bonito chapéu de lã.” Ela pronunciava a palavra como i+bu-ni-to.
“Olá,” eu disse, limpando minha garganta e tentando soar amigável. “Você pode por favor me dizer quanto falta para a rua Highsmith?”
Ela cacarejou.
“Um motorista de ônibus, me apontou nessa direção,” eu disse com menos confiança.
“Ele te disse que Highsmith é por aqui?” ela disse, soando irritada. “Eu sei o caminho até Highsmith, e não é por aqui.”
Eu esperei, mas ela não elaborou. “Você acha que podia me dar as direções?” eu perguntei.
“Eu tenho as direções.” Ela bateu em sua cabeça com um dedo que se assemelhava fortemente a um graveto retorcido e nodoso. “Guardo tudo aqui em cima, eu guardo.”
“Para que lado é Highsmith?” eu encorajei.
“Mas não posso te contar de graça,” ela disse em um tom censurador. “Isso vai te custar. Ninguém nunca te disse que não há nada de graça na vida?”
“Eu não tenho dinheiro algum.” Não muito, de qualquer jeito. Somente o bastante para uma passagem de ônibus para casa.
“Você tem um belo casaco quente.”
Eu olhei para baixo para o meu casaco acolchoado. Um vento gelado desordenou o meu cabelo, e pensar em tirar meu casaco mandou um fluxo de arrepios pelos meus braços. “Eu acabei de ganhar esse casaco de Natal.”
“Eu estou congelando a minha derrière aqui,” ela retrucou. “Você quer direções ou não?”
Eu não conseguia acreditar que eu estava parada aqui. Eu não conseguia acreditar que estava trocando meu casaco com uma sem-teto. Miley tinha tantas dividas comigo que talvez ela nunca as quitasse.
Eu tirei meu casaco e observei ela coloca-lo e fechar o zíper.
Minha respiração saia como fumaça. Eu me abracei e bati meu pé, conservando a temperatura corporal. “Você pode por favor me dizer agora para que lado é Highsmith?”
“Você quer o caminho longo, ou o curto?”
“Cu-curto,” eu bati os dentes.
“Isso vai te custar também. O caminho curto tem uma taxa adicional anexada. Como eu disse, sempre quis para eu um bonito chapéu de lã.”
Eu tirei o gorro rosa e branco da minha cabeça.
“Highsmith?” eu perguntei tentando manter o tom amigável enquanto eu o passava.
“Viu aquele beco?” ela disse, apontando para trás de mim. Eu me virei. O beco estava a uma quadra e meia de distancia. “Entre nele, você sairá em Highsmith do outro lado.”
“É isso?” eu disse incredulamente. “Uma quadra?”
“A boa noticia, é que você tem uma caminhada curta. A má noticia é que não tem uma caminhada que pareça curta nesse tempo. Claro, estou bem quente agora que eu tenho um casaco e um bonito chapéu. Me dê essas mitenes, e eu mesma andarei com você até lá.
Eu olhei para baixo para as mitenes. Pelo menos as minhas mãos estavam quentes. “Eu me viro.”
O beco era escuro e entulhado com latas de lixo, caixas de papelão manchadas de água, e um calombo irreconhecível que poderia ter sido um aquecedor de água. Mas também, podia tão facilmente ser um tapete com um corpo enrolado dentro. Uma cerca alta de elo de correntes espalhava-se pela metade de baixo do beco. Eu mal conseguia escalar uma cerca de um metro e vinte num dia normal, muito menos uma de três metros. Construções de tijolo me ilhavam de ambos os lados. Todas as janelas estavam engorduradas e embarriladas.
Pisando em cima de engradados e sacos de lixo, eu fui caminhando pelo beco. Vidro quebrado era esmigalhado sob meus sapatos. Um relampejo de branco passou entre as minhas pernas, me deixando sem fôlego. Um gato. Só um gato, desaparecendo na escuridão à frente.
Eu estiquei a mão para o meu bolso para mandar uma mensagem para Vee, com a intenção de dizer a ela que eu estava perto e para me procurar, quando eu lembrei que deixei meu celular no bolso do meu casaco. Muito bem, eu pensei. Quais as chances da mulher dos sacos te devolver seu telefone? Precisamente... de mínimas a zero.
Eu decidi que valia a pena, e enquanto eu me virava, um sedã preto polido passou correndo pela abertura do beco. Com um brilho repentino de vermelho, as luzes do freio se acenderam.
Por razões que eu não conseguia explicar além da intuição, eu fui atraída para as sombras.
Uma porta de carro abriu e o estralar de tiros escapou. Dois tiros. A porta do carro bateu e o sedã preto foi embora com um som agudo. Eu conseguia ouvir o meu coração martelando no meu peito, e ele se misturou com o som de pés correndo. Eu percebi um instante mais tarde de que eram os meus pés, e eu estava correndo para a boca do beco. Eu circulei a esquina e parei abruptamente. O corpo da mulher dos sacos estava numa pilha na calçada.
Eu me apressei até lá e caí de joelhos ao lado dela. “Você está bem?” eu disse freneticamente, girando-a. Sua boca estava aberta, seus olhos de passa ocos. Líquido negro fluía pelo casaco acolchoado que eu estivera usando há três minutos. Eu senti vontade de pular para trás, mas me forcei a esticar a mão para dentro dos bolsos do casaco. Eu precisava ligar chamando por ajuda, mas meu telefone não estava ali. Havia uma cabine telefônica na esquina do outro lado da rua. Eu corri até ela e disquei 192. Enquanto eu esperava pelo operador atender, eu olhei para trás para o corpo da mulher dos sacos, e foi quando eu senti a adrenalina fria me percorrer. O corpo tinha sumido. Com uma mão tremendo, eu desliguei. O som de passos se aproximando soaram nos meus ouvidos, mas se eles estavam perto ou longe, eu não conseguia afirmar.
Clip, clip, clip.
Ele está aqui, eu pensei. O homem de máscara de esqui.
Eu enfiei algumas moedas no telefone e agarrei o receptor com ambas as mãos. Eu tentei me lembrar do número do celular do Joe. Espremendo meus olhos fechados, eu visualizei os sete números que ele tinha escrito em tinta vermelha na minha mão no dia que nos conhecemos. Antes que eu pudesse duvidar da minha memória, eu disquei os números.
“E aí?” Joe disse.
Eu quase solucei ao som da voz dele. Eu conseguia ouvir o crepitar de bolas de bilhar colidindo numa mesa de sinuca nos fundos, e eu sabia que ele estava na Bo's Arcade. Ele podia chegar aqui em quinze, talvez vinte minutos.
“Sou eu.” Eu não ousei forçar a minha voz mais que um sussurro.
“Demi?”
“Estou em P... Portland. Na esquina da Hempshire com Nantucket. Pode me pegar? É urgente.”
Eu estava amontoada no fundo da cabine telefônica, contando silenciosamente até cem, tentando permanecer calma, quando um Jipe Commander preto deslizou para o meio-fio. Joe abriu a porta da cabine telefônica e se agachou na entrada. Ele retirou sua camada de cima – uma camiseta preta de manga longa – deixando-o com uma camiseta preta. Ele encaixou o decote da camiseta sobre a minha cabeça e um instante mais tarde empurrou meus braços pelas mangas. A camiseta me diminuía, as mangas penduradas para baixo das pontas dos meus dedos. Misturava os cheiros de fumaça, água salgada, e sabonete de menta. Algo nela enchia os lugares ocos dentro de mim com tranquilidade.
“Vamos para o carro,” Joe disse. Ele me puxou para cima, e eu enlacei meus braços ao redor do seu pescoço e enterrei meu rosto nele.
“Acho que vou passar mal,” eu disse. O mundo inclinou-se, incluindo Joe.
“Eu preciso das minhas pílulas de ferro.”
“Shh,” ele disse, me segurando contra ele. “Vai ficar tudo bem. Estou aqui agora.”
Eu consegui assentir um pouquinho.
“Vamos sair daqui.”
Outro assentimento. “Precisamos pegar a Miley,” eu disse. “Ela está numa festa há uma quadra.”
Enquanto Joe dirigia o Jipe pela esquina, eu escutei o eco do rangido dos meus dentes dentro da minha cabeça. Eu nunca estive tão assustada na minha vida. Vendo a mulher sem-teto morta invocou pensamentos sobre o meu pai. Minha visão estava manchada com vermelho, e por mais que eu tentasse, eu não conseguia apagar a imagem de sangue.
“Você estava no meio de um jogo de sinuca?” eu perguntei, me lembrando do som das bolhas de bilhar colidindo nos fundos durante nossa breve conversa telefônica.
“Eu estava ganhando um condomínio.”
“Um condomínio?”
“Um daqueles presunçosos no lago. Eu teria odiado o lugar. Aqui é Hughsmith. Você tem o endereço?”
“Eu não consigo lembrar,” eu disse, sentando-me mais alta para dar uma olhada melhor pelas janelas. Todos os prédios pareciam abandonados. Não havia traço de uma festa. Não havia traço de vida, ponto.
“Está com seu celular?” eu perguntei a Joe.
Ele deslizou um Blackberry para fora de seu bolso. “A bateria está fraca. Eu não sei se aguenta uma ligação.”
Eu mandei uma mensagem de texto para a Miley. ONDE VOCÊ ESTÁ?!
MUDANÇA DE PLANOS, ela mandou de volta. ACHO QUE O J E O E NÃO CONSEGUIRAM ACHAR O Q ELES TAVAM PROCURANDO. ESTAMOS INDO PRA CASA.
A tela ficou preta.
“Acabou,” eu disse a Joe. “Está com o carregador?”
“Comigo não.”
“Miley vai voltar para Coldwater. Você acha que pode me deixar na casa dela?”
Minutos mais tarde nós estávamos na estrada costeira, dirigindo bem junto de um penhasco logo acima do oceano. Eu já tinha passado por esse caminho antes, e quando o sol se punha, a água ficava um azul ardósia com remendos de verde escuro onde a água refletia as sempre-vivas. Estava de noite, e o oceano era um veneno preto suave.
“Você vai me dizer o que aconteceu?” Joe perguntou.
O júri ainda não tinha decidido se eu devia ou não contar algo ao Joe. Eu podia contar a ele como, depois da mulher dos sacos ter me enganado para pegar meu casaco, atiraram nela. Eu podia contar a ele que eu achei que a bala era para mim. Então eu podia tentar explicar como o corpo da mulher dos sacos tinha desaparecido magicamente no ar.
Eu me lembrava do olhar louco que o Detetive Basso tinha me dirigido quando eu disse a ele que alguém tinha invadido meu quarto. Eu não estava com humor para revirarem os olhos e rirem de mim novamente. Não pelo Joe. Não agora.
“Eu me perdi, e a mulher dos sacos me encurralou,” eu disse. “Ela me persuadiu a tirar o meu casaco...” Eu limpei meu nariz com as costas da minha mão e funguei.
“Ela pegou o meu gorro, também.”
“O que você estava fazendo por aqui?” perguntou Joe.
“Me encontrando com a Miley numa festa.”
Nós estávamos na metade entre Portland e Coldwater, num pedaço de estrada sumarenta e deserta, quando vapor foi lançado do capô do Jipe. Joe freiou, levando o Jipe para a beira da estrada.
“Espera aí,” ele disse, virando-se. Levantando o capô do Jipe, ele desapareceu de vista.
Um minuto mais tarde ele deixou o capô cair de volta no lugar. Roçando suas mãos na sua calça, ele veio até a minha janela, gesticulando para que eu a abaixasse.
“Más notícias,” ele disse. “É o motor.”
Eu tentei parecer informada e inteligente, mas eu tinha uma sensação de que a minha expressão parecia simplesmente vazia.
Joe levantou uma sobrancelha e disse, “Descanse em paz.”
“Não vai se mover?”
“Não, a não ser que a empurremos.”
De todos os carros, ele tinha que escolher justo esse.
“Onde está o seu celular?” Joe perguntou.
“Eu perdi.”
Ele sorriu. “Deixe-me adivinhar. No bolso do seu casaco. A mulher dos sacos realmente lucrou, não foi?”
Ele explorou o horizonte. “Duas escolhas. Nós podemos pedir uma carona, ou podemos andar até a próxima saída e achar um telefone.”
Eu saí, fechando a porta com força atrás de mim. Eu chutei o pneu direito dianteiro do Jipe. Eu sabia que estava usando a raiva para mascarar o meu medo pelo que eu tinha passado hoje. Assim que eu estivesse totalmente sozinha, eu me acabaria de chorar.
“Eu acho que tem um motel na próxima saída. Eu c...c...chamarei um táxi,” eu disse, meus dentes rangendo ainda mais. “V...v... você espera aqui com o Jipe.”
Ele deu um sorriso ligeiro, mas não pareceu divertido. “Eu não vou te deixar sair da minha vista. Você está parecendo um pouco transtornada, Anjo. Nós iremos juntos.”
Cruzando meus braços, eu enfrentei-o. De tênis, meus olhos ficavam no nível dos ombros dele. Eu fui forçada a inclinar meu pescoço para trás para encontrar os olhos dele. “Eu não vou chegar nem perto de um motel com você.” Melhor soar firme, para que eu tivesse menos chance de mudar de ideia.
“Você acha que nós dois num motel pobretão é uma combinação perigosa?”
Na verdade, sim.
Joe se reclinou contra o Jipe. “Nós podemos sentar aqui e discutir isso.” Ele espremeu seus olhos para o céu revoltoso. “Mas essa tempestade está prestes a ter sua energia renovada.”
Como se a Mãe Natureza quisesse dar seu palpite no veredicto, o céu se abriu e uma mistura espessa de chuva e granizo chegou.
Eu lancei a Joe meu olhar mais frio, então soltei um suspiro de raiva.
Como sempre, ele tinha razão.

capitulo 20

Eu me virei a noite inteira. O vento soprava pelos campos abertos que margeavam a casa da fazenda, espalhando detritos pelas janelas. Eu acordei várias vezes, escutando as telhas serem arrancadas do telhado e jogadas nas bordas. Cada pequeno barulho desde o barulho das vidraças até o rangido das molas da minha cama me faziam acordar.
Perto das seis eu desisti, saí da cama, me arrastei pelo corredor em direção a um banho quente. Depois eu limpei meu quarto... meu closet estava parecendo escasso e com certeza, eu enchi a cesta três vezes com roupas para lavar. Eu estava subindo as escadas com um carregamento novo quando ouvi um bater na porta de frente. Eu a abri e encontrei Elliot parado no degrau da porta. Ele estava de jeans, uma camisa xadrez vintage com a manga dobrada até os cotovelos, óculos de sol e um boné do Red Sox. Por um lado ele parecia um típico americano. Mas eu o conhecia melhor, e um choque de adrenalina e nervoso confirmaram isso.
“Demi Lovato,” Elliot disse em uma voz condescendente. Ele inclinou e sorriu, eu peguei um tom amargo de álcool em seu hálito. “Ultimamente você tem me causado muitos problemas.”
“O que você está fazendo aqui?”
Ele espiou atrás de mim para dentro da casa. “O que parece que estou fazendo? Eu quero conversar. Não vai me deixar entrar?”
“Minha mãe está dormindo. Eu não quero acordá-la.”
“Eu nunca conheci sua mãe.” Alguma coisa no jeito que ele disse isso fez com que os pelos da minha nuca se arrepiassem.
“Sinto muito, você precisa de alguma coisa?”
Seu sorriso era meio desleixado, meio zombeteiro. “Você não gosta de mim, gosta Demi Lovato?”
Como resposta eu cruzei meus braços no peito.
Ele voltou um degrau com sua mão no coração. “Ouch. Estou aqui, Demi, como uma última oferta para te convencer que eu sou um cara comum e você pode confiar em mim. Não me desaponte.”
“Escuta, Elliot, eu tenho algumas coisas que preciso...”
Ele bateu com o punho na casa, batendo os dedos na madeira com força suficiente para agitar a tinta lascada. “Eu não terminei!” ele repreendeu com a voz quente. De repente ele jogou a cabeça para trás e riu baixinho. Ele voltou e colocou sua mão sangrando entre os joelhos e gemeu. “Aposto dez dólares que vou me arrepender disso mais tarde.”
A presença de Elliot fazia minha pele formigar. Lembrei-me de alguns dias atrás, quando eu realmente achei que ele era bonito e charmoso. Perguntei-me porque eu tinha sido tão idiota.
Eu estava cogitando fechar a porta e trancá-la, quando Elliot tirou os óculos de sol, revelando seus olhos vermelhos. Ele limpou a garganta, sua voz saiu franca. “Eu vim aqui porque quero dizer que o Jules está sob muito estresse na escola. Exames, conselho estudantil, candidatura às bolsas, blá, blá, blá. Ele não está sendo ele mesmo. Ele precisa sair um pouco por uns dias. Nós quatro – Jules, eu, você e a Miley – deveríamos ir acampar para dar um tempo. Saindo amanhã para o Powder Horn e voltando na quinta a tarde. Isso dará a chance para o Jules relaxar.” Cada palavra que saía de sua boca parecia assustadoramente e cuidadosamente ensaiada.
“Sinto muito, eu já tenho planos.”
“Deixe-me mudar sua mente. Eu vou planejar toda a viagem. Eu vou pegar as barracas, a comida. Vou te mostrar o cara legal que sou. Vou te mostrar ótimos momentos.”
“Eu acho que você deve ir.”
Elliot encostou a mão no batente da porta inclinando-se para mim. “Resposta errada.” Por um rápido instante, o estupor vidrado em seus olhos desapareceu, algo sinistro e retorcido tomou seu lugar. Involuntariamente eu dei um passo para trás. Eu tinha quase certeza que o Elliot tinha nele aquilo necessário para matar. Eu tinha quase certeza que a morte da Kjirsten estava em suas mãos.
“Saia ou eu vou chamar um taxi,” eu disse.
Elliot arremessou a porta de tela tão forte que ela bateu contra a casa. Ele agarrou a frente do meu roupão e me puxou para fora. Então ele me jogou de costas nas tábuas e me segurou lá com seu corpo. “Você vai vir acampar querendo ou não.”
“Me solta!” eu disse, me sacudindo para longe dele.
“Ou o que? O que você vai fazer?” Ele estava me segurando pelos ombros agora, ele me jogou contra a casa novamente, batendo meus dentes.
“Eu vou ligar para polícia.” Eu não tenho ideia de como eu disse isso tão bravamente. Minha respiração estava rápida e superficial, minhas mãos frias.
“Você vai gritar por eles? Eles não podem te ouvir. O único jeito de eu te deixar ir é você prometer ir acampar.”
“Demi?”
Elliot e eu olhamos para a porta da frente, de onde vinha a voz da minha mãe. Elliot manteve suas mãos em mim por mais um tempo, então fez um som de desgosto e me soltou. A meio caminho da escada, ele olhou por cima dos seus ombros. “Isso ainda não acabou.”
Eu corri para dentro e tranquei a porta. Meus olhos começaram a queimar. Eu encostei minhas costas na porta e sentei no tapete da entrada, lutando com a urgência de soluçar.
Minha mãe apareceu no topo da escada, apertou seu roupão no peito. “Demi? O que há de errado? Quem estava na porta?”
Eu pisquei meus olhos para secar rapidamente. “Um cara da escola.” Eu não pude tirar o vacilo da minha voz. “Ele... ele ...” Eu já estava com problemas suficientes por causa do meu encontro com o Joe. Eu sabia que minha mãe estava planejando cuidar da recepção de um casamento hoje a noite da filha de um colega do trabalho, mas se eu dissesse a ela que Elliot tinha me coagido, ela não iria de jeito nenhum. E isso era a última coisa que eu queria, porque eu precisava ir a Portland investigar o Elliot. Mesmo uma pequena prova incriminatória poderia ser o suficiente para colocá-lo atrás das grades e até que isso acontecesse, eu não me sentiria segura. Eu senti uma certa violência crescendo nele e eu não queria ver o que aconteceria se ele perdesse o controle. “Ele queria minhas anotações do Hamlet,” eu disse. “Semana passada ele copiou minhas questões e aparentemente ele está tentando fazer disso um hábito.”
“Oh, querida.” Ela desceu para ficar ao meu lado, acariciando meu cabelo úmido, que estava frio desde meu banho. “Eu entendo porque você está chateada. Eu posso ligar para os pais dele se você quiser.”
Eu balancei a cabeça.
“Então vou fazer seu café da manhã,” mamãe disse. “Vá terminar de se vestir. Eu terei tudo pronto quando você descer.”
Eu estava na frente do meu armário quando meu celular tocou.
“Você está ouvindo? Nós quatro vamos a-c-a-m-p-a-r para dar uma relaxada!” a Miley disse, soando bizarramente alegre.
“Miley,” eu disse, com a voz tremendo. “Elliot está planejando alguma coisa. Alguma coisa assustadora. A única razão para ele querer ir acampar é para que ele nos tenha sozinhas. Nós não vamos.”
“O que você quer dizer com nós não vamos? Isso é uma piada, certo? Quero dizer, finalmente vamos fazer uma coisa excitante para relaxar e você está dizendo não? Você sabe que minha mãe nunca vai me deixar ir sozinha. Faço qualquer coisa. Sério. Faço sua lição de casa por uma semana. Vamos, Demi. Uma pequena palavra. Diga. Começa com a letra S…”
A mão que estava segurando o celular tremeu e eu o segurei com a outra. “Elliot apareceu na minha casa quinze minutos atrás, bêbado. Ele... ele me ameaçou fisicamente.”
Ela ficou quieta por um momento. “O que você quer dizer com ‘ameaçou fisicamente’?”
“Ele me puxou para fora da porta da frente e me jogou contra a casa.”
“Mas ele estava bêbado, certo?”
“Isso importa?” eu bati.
“Bem, ele tem muita coisa na cabeça. Quero dizer, ele foi erradamente acusado de estar envolvido com o suicídio de uma garota e ele foi forçado a trocar de escola. Se ele te machucou... eu não estou justificando o que ele fez... talvez ele apenas precise de... aconselhamento, você sabe?”
“Se ele me machucou?”
“Ele estava perdido. Talvez... talvez ele não soubesse o que estava fazendo. Amanhã ele vai sentir-se horrível.”
Eu abri minha boca e fechei. Eu na podia acreditar que a Miley estava do lado do Elliot. “Eu tenho que ir,” eu disse brevemente. “Falo com você mais tarde.”
“Posso ser bem honesta, querida? Eu sei que você está preocupada com esse cara com máscara de esqui. Não me odeie, mas eu acho que a única razão para você estar tentando tanto colocar a culpa no Elliot é porque você não quer que seja o Joseph. Você racionaliza tudo e isso me assusta.”
Eu estava sem palavras. “Racionalizando? Joe não apareceu na minha porta essa manhã e me jogou contra minha casa.”
“Quer saber? Eu não devia ter dito isso. Vamos apenas esquecer, tudo bem?”
“Tudo bem,” eu disse duramente.
“Então... o que você vai fazer hoje?”
Eu coloquei a cabeça pra fora da porta, escutando minha mãe. O som de alguma coisa raspando em uma tigela vinha da cozinha. Parte de mim não via uma razão para dividir qualquer coisa com a Miley, mas outra parte sentia-se
ressentida e confrontada. Ela queria saber meus planos? Por mim tudo bem. Não era meu problema se ela não gostasse deles. “Eu vou para Portland assim que minha mãe sair para o casamento na Praia Old Orchard.” O casamento começava às 4 da tarde e em seguida com a recepção, minha mãe não chegaria em casa antes das 9 da noite. O que me dava tempo suficiente para passar a tarde em Portland, e chegar em casa.
“Na verdade, eu estava me perguntando se talvez eu pudesse pegar emprestado o Neon. Eu não quero que minha mãe veja os quilômetros a mais no meu carro.”
“Oh, cara. Você vai espionar o Elliot não vai? Você vai bisbilhotar em Kinghorn.”
“Eu vou fazer um pouco de compras e pegar um jantar,” eu disse, pegando uns cabides e deslizei para fora do armário. Eu puxei uma blusa de manga comprida, jeans, um gorro listrado rosa e branco que eu reservava para os dias de cabelo ruim e fins de semana.
“E você pegar um jantar inclui parar em uma certa lanchonete que fica a algumas quadras da Kinghorn Prep? Um jantar onde Kjirsten que é-o-nome-dela costumava trabalhar?”
“Isso não é uma má ideia,” eu disse. “Talvez eu vá.”
“E você vai realmente comer, ou apenas interrogar os trabalhadores?”
“Talvez eu faça algumas perguntas. Posso pegar o Neon ou não?”
“Claro que pode,” ela disse. “Para que servem as melhores amigas? Eu até vou com você nessa pequena viagem condenada. Mas primeiro você tem que prometer que vamos acampar.”
“Esqueça. Vou de ônibus.”
“Nós vamos falar sobre a viajem depois!” Miley falou pelo telefone antes que eu pudesse desligar. Eu estive em Portland em várias ocasiões, mas eu não conhecia muito bem a cidade. Eu desci do ônibus armada com meu celular, um mapa e minha própria bússola interna. Os prédios eram altos, de tijolos vermelhos e esguios, bloqueando o pôr-do-sol, que brilhava abaixo de um trecho de nuvens pesadas de tempestade, deixando as ruas sob um dossel de sombras. Todas as fachadas das lojas tinham varandas e placas excêntricas do lado de fora das portas. As ruas estavam cheias com lâmpadas com chapéu-de-bruxa preto. Depois de vários quarteirões, as ruas congestionadas se abriram para uma área com árvores, e eu tive a vista do Kinghorn Prep. Uma catedral, uma torre de campanário e uma torre com relógio que ia além do topo das árvores. Eu fiquei na calçada e virei a esquina em direção à rua 32nd. O porto era apenas a algumas quadras a diante e eu tive uns vislumbres de barcos passando atrás das lojas enquanto eles vinham para as docas. No meio da rua 32nd, eu vi uma placa do Café-Restaurante Blind Joe’s. Eu puxei minhas perguntas para fora e as li pela última vez. O plano era para que não parecesse que eu estava fazendo uma entrevista oficial. Eu esperava que se eu casualmente puxasse o assunto sobre a Kjirsten com os empregados do lugar, eu poderia destrinchar alguma coisa que vários repórteres antes de mim tivessem de alguma forma perdido. Esperando que as questões permanecessem na minha memória, eu disfarçadamente joguei a lista na lixeira mais próxima. A porta fez tocar um sininho quando eu entrei.
O chão tinha piso amarelo e branco, e as mesas foram estofadas com um azul marinho. Fotos do porto estavam penduradas na parede. Eu me sentei em uma mesa perto da porta e tirei meu casaco. Uma garçonete com um avental branco manchado. “Chamo-me Whitney,” ela me disse com uma voz azeda. “Bem vinda ao Blind Joe’s. O especial de hoje é o sanduíche de atum. A sopa do dia é de lagosta.” Sua caneta estava posicionada para anotar meu pedido.
“Blid Joe’s?” eu fiz uma careta e coloquei a mão no queixo. “Por que esse nome me soa tão familiar?”
“Você lê jornais? Nós estivemos nas notícias por uma semana inteira mês passado. Quinze minutos e tudo.”
“Oh!” Eu disse de repente. “Agora me lembro. Houve um assassinato, certo? A garota não trabalhava aqui?”
“Era a Kjirsten Halverson.” Ela clicava sua caneta impacientemente.
“Você pode me trazer uma tigela daquela sopa para começar?” Eu não queria sopa de lagosta. Na verdade eu não estava nem remotamente com fome. “Isso deve ter sido difícil. Vocês duas eram amigas?”
“Droga, não. Você vai fazer o pedido ou o quê? Eu vou te contar um pequeno segredo. Se eu não trabalho, não ganho dinheiro. Se eu não ganho dinheiro, eu não pago o aluguel.”
De repente eu desejei que o garçom do outro lado da lanchonete viesse anotar meu pedido. Ele era baixo, careca até as orelhas e seu corpo tinha a forma dos paliteiros que ficavam na ponta da mesa. Seus olhos nunca chegavam a mais de um metro acima do chão. Patética como me sentiria após este fato, um sorriso amigável meu talvez fosse o suficiente para que ele derramasse toda a história de vida da Kijirsten. “Desculpe,” eu disse para a Whitney. “Não consigo parar de pensar no assassinato. Claro que para você provavelmente seja uma novidade ultrapassada. Você deve ter repórteres por aqui o tempo todo fazendo perguntas.”
Ela me deu um olhar afiado. “Precisa de mais um tempo para olhar o menu?”
“Eu, pessoalmente, acho repórteres irritantes.”
Ela se inclinou, dobrando os braços sobre a mesa. “Eu acho clientes que demoram muito, irritantes.”
Eu dei um suspiro silencioso e abri o cardápio. “O que você recomenda?”
“Tudo aí é bom. Pergunte para o meu namorado.” Ela deu um sorriso. “Ele é o cozinheiro.”
“Falando em namorados... a Kjirsten tinha um?” Boa mudança de tema, eu disse para mim mesma.
“Corta essa,” Whitney pediu. “Você é policial? Uma advogada? Uma repórter?”
“Apenas uma cidadã preocupada.” Isso soou como uma pergunta.
“Yeah, tá bom. Seguinte. Peça um milk-shake, batatas fritas, um hambúrguer Angus, um prato de sopa, me dê vinte e cinco por cento de gorjeta e eu digo para você o que eu disse para todos os outros.”
Eu pesei minhas opções: minha mesada ou respostas. “Feito.”
“Kjirsten tava saindo com aquele garoto, o Elliot Saunders. O que saiu nos jornais. Ele estava aqui o tempo todo. Voltava com ela caminhando para o apartamento dela no final do turno.”
“Você falou alguma vez com o Elliot?”
“Eu não.”
“Você acha que a Kjirsten cometeu suicídio?”
“Como eu saberia?”
“Eu li nos jornais que um bilhete de suicídio foi encontrado no apartamento da Kjirsten, mas também havia evidências de arrombamento.”
“E?”
“Você não acha isso um pouco... estranho?”
“Se você está perguntando se eu acho que o Elliot poderia ter colocado o bilhete no apartamento dela, claro que acho. Garoto rico como ele pode conseguir qualquer coisa. Provavelmente contratou alguém para plantar o bilhete. É assim que funciona quando se tem dinheiro.”
“Eu não acho que o Elliot tem muito dinheiro.” Minha impressão sempre foi a de que o Jules é que era o endinheirado. Miley nunca parava de divagar sobre a casa dele. “Eu acho que ele estava na Kinghorn Prep com uma bolsa de estudos.”
“Bolsa de estudos?” ela repetiu bufando. “O que tem na água que você anda bebendo? Se o Elliot não tem tanto dinheiro, como ele comprou para a Kjirsten o apartamento? Me explica.”
Eu lutei para segurar minha surpresa. “Ele comprou um apartamento para ela?”
“Kjirsten nunca parava de falar nisso. Quase me deixou maluca.”
“Por que ele compraria um apartamento para ela?”
Whitney baixou seu olhar e me encarou, com as mãos no quadril. “Não vai me dizer que você é realmente tão boba.”
Oh. Privacidade. Intimidade. Entendi.
Eu disse, “Você sabe por que o Elliot foi transferido para fora da Kinghorn?”
“Não sabia que ele tinha sido.”
Eu driblei suas respostas com perguntas que eu ainda queria fazer, tentando retirar eles da sua memória. “Alguma vez ele encontrou com amigos aqui? Alguém além da Kjirsten?”
“Como eu me lembraria disso?” Ela rolou os olhos. “Eu pareço ter memória fotográfica?”
“Que tal um cara alto? Bem alto. Cabelo loiro e longo, bonito, roupas sob medida.”
Ela arrancou um pedaço de unha com seus dentes da frente e o colocou dentro do bolso do seu avental. “Yeah, eu me lembro desse cara. Difícil não lembrar. Todo mal humorado e quieto. Ele veio uma ou duas vezes. Não faz muito tempo. Talvez próximo de quando a Kjirsten morreu. Eu me lembro porque nós íamos servir sanduíches de carne enlatada para o dia de St. Patrick e não consegui que ele pedisse um. Apenas me olhou como se ele fosse voar pela mesa e cortar minha garganta se eu continuasse a ler o especial do dia por ali. Mas eu acho que eu me lembro de alguma coisa. Não que eu sou intrometida, mas eu tenho ouvidos. As vezes não posso evitar ouvir algumas coisas. A última vez que o cara alto e o Elliot vieram, eles estavam debruçados na mesa falando sobre um teste.”
“Um teste de escola?”
“Como eu saberia? Pelo o que pareceu, o cara alto falhou em um teste e Elliot não estava muito feliz com isso. Ele jogou sua cadeira para trás e saiu. Nem mesmo comeu seu sanduíche.”
“Eles mencionaram a Kjirsten?”
“O cara alto veio primeiro, perguntou se a Kjirsten estava trabalhando. Eu disse a ele que não, ela não estava e ele pegou seu celular. Dez minutos depois, Elliot entrou. Kjirsten sempre servia a mesa do Elliot, mas como eu disse, ela não estava trabalhando, então eu servi. Se eles falaram sobre a Kjirsten, eu não ouvi. Mas para mim, pareceu que o cara alto não queria a Kjirsten por perto.”
“Você se lembra de mais alguma coisa?”
“Depende. Você vai pedir uma sobremesa?”
“Eu acho que quero um pedaço de torta.”
“Torta? Eu te dou cinco minutos do meu precioso tempo e tudo o que você pede é uma torta? Eu pareço não ter mais nada para fazer do que bater papo com você?”
Eu olhei para a lanchonete. Estava morta. Sem contar o cara debruçado sobre o jornal no balcão, eu era a única cliente.
“Okay...” Eu olhei o cardápio.
“Você vai querer um suco de framboesa para empurrar a torta para baixo.” Ela escreveu no bloquinho. “E um cafezinho.” Mais escrita. “Estou esperando mais um adicional de vinte e cinco por cento de gorjeta com isso.”
Ela me deu um sorriso presunçoso, colocou o bloquinho no avental e gingou de volta para a cozinha.

Capitulo 19

EU DEIXEI O GLOBO DE NEVE EM SUA CAIXA E ENFIEI dentro do meu armário atrás de uma pilha de suéteres com padrão de diamante que eu tinha roubado do meu pai. Quando eu abri o presente a frente do Joe, o Delphic parecera brilhante e lindo, arco-íris de luz girando dos arames. Mas sozinha no meu quarto, o parque de diversão parecera assombrado. Um campo ideal para espíritos separados dos corpos. E eu não tinha muita certeza de que não havia uma câmera escondida dentro.
Após colocar uma camisola larga e calça de pijama floral, eu liguei para Miley.
“Bem?” ela disse. “Como foi? Obviamente ele não te matou, então esse é um bom começo.”
“Jogamos sinuca.”
“Você odeia sinuca.”
“Ele me deu algumas dicas. Agora que eu sei o que estou fazendo, não é tão ruim.”
“Aposto que ele podia te dar algumas dicas em outras áreas da sua vida.”
“Hmm.” Normalmente, o comentário dela podia ter incitado pelo menos um rubor de mim, mas meu humor era sério demais. Eu estava concentrada no trabalho, pensando.
“Eu sei que disse isso antes, mas o Joe não instila uma profunda sensação de conforto em mim,” Miley disse. “Eu ainda tenho pesadelos com o cara com a máscara de esqui. Em um dos meus pesadelos, ele arrancou sua máscara, e adivinha quem se escondia por trás dela? Joseph. Pessoalmente, acho que devia tratá-lo como uma bomba armada. Algo nele não é normal.”
Isso é exatamente sobre o que eu queria falar.
“O que faria com que alguém tivesse uma cicatriz em formato de V nas costas?” eu perguntei a ela.
Houve um momento de silêncio.
“Anormal,” Miley engasgou. “Você o viu pelado? Onde aconteceu? No jipe dele? Na casa dele? Nos seu quarto?”
“Eu não o vi pelado! Foi meio que um acidente.”
“Aham, já ouvi essa desculpa antes,” disse Miley.
“Ele tinha uma cicatriz enorme em formato de V de cabeça para baixo nas costas. Isso não é um pouquinho estranho?”
“É claro que é estranho. Mas é do Joe que estamos falando. Ele tem alguns parafusos a menos. Eu vou dar um chute e dizer... briga de gangue? Cicatrizes de guerra? Marcas de derrapagem de uma batida com carro?
Metade do meu cérebro estava focado na minha conversa com Miley, mas a outra metade mais subsconciente tinha se desviado. Minha memória voltava para a noite que Joe tinha me desafiado a andar no Arcanjo. Eu recapturei as pinturas apavorantes e bizarras na lateral dos carros. Eu me lembrava das bestas chifrudas arrancando as asas do anjo. Eu me lembrava do V negro de ponta-cabeça onde as asas do anjo costumavam estar.
Eu quase derrubei o telefone.
“D-desculpa, o quê?” eu perguntei a Joe quando percebi que ela tinha continuado a conversa e estava esperando pela minha resposta.
“O que. Aconteceu. Depois?” ela repetiu, enunciando cada palavra. “Terra para Demi. Eu preciso de detalhes. Estou morrendo aqui.”
“Ele se meteu numa briga e sua camiseta rasgou. Fim da história. Não tem nada de o-que-aconteceu-depois.”
Miley prendeu a respiração. “É disso que estou falando. Vocês dois saíram juntos... e ele se mete numa briga? Qual o problema dele? Parece que ele é mais animal do que humano.”
Na minha mente eu ficava alternando entre a pintura das cicatrizes do anjo e das cicatrizes do Joe. Ambas as cicatrizes tinham sarado à cor de alcaçuz preto, ambas corriam das omoplatas até os rins, e ambas se curvavam enquanto viajavam pelo comprimento das costas. Eu disse a mim mesma que havia uma boa chance de ser meramente uma coincidência muito bizarra que as pinturas no Arcanjo descrevam as cicatrizes do Joe perfeitamente. Eu disse a mim mesma que um monte de coisas podia causar cicatrizes como as do Joe. Brigas de gangue, cicatrizes de prisão, marcas de derrapagem – exatamente como Miley dissera. Infelizmente, todas as desculpas pareciam mentiras. Como se a verdade estivesse me encarando, mas eu não era corajosa o bastante para olhar de volta.
“Ele foi um anjo?” Miley perguntou.
Eu voltei à mim. “O quê?”
“Ele foi um anjo, ou ele correspondeu à sua imagem de bad boy? Porque, sério? Eu não estou engolindo essa versão toda da história de ele-não-tentou-nada.”
"Miley? Eu tenho que ir." Minha voz estava juncada com teias de aranha.
“Estou vendo como é. Você vai desligar antes que eu consiga os detalhes da parada."
“Nada aconteceu no encontro, e nada aconteceu depois. Minha mãe nos encontrou na entrada.”
“Não creio!”
“Eu não acho que ela goste do Joe.”
“Não diga!” Miley disse. “Quem teria adivinhado?”
“Eu te ligo amanhã, está bem?”
“Bons sonhos, querida.”
Sem chance, eu pensei.
Após eu sair do telefone com a Miley, eu andei pelo corredor até o escritório provisório da minha mãe e liguei o nosso IBM ultrapassado. A sala era pequena, com um teto inclinado, mais uma cumeeira do que uma sala. Uma janela engordurada com cortinas laranja desbotadas dos anos 70 tinha visto para o jardim lateral. Eu podia ficar totalmente de pé em cerca de 30 porcento da sala.
Nos outros 70 porcento, o alto do meu cabelo roçava nas vigas expostas do refúgio. Um único bulbo exposto estava pendurado ali.
Dez minutos mais tarde o computador conseguiu uma conexão discada na internet, e eu digitei “cicatrizes de asas de anjos” na barra de pesquisa do Google. Eu pairei com o meu dedo sobre a tecla de enter, com medo de que se eu fosse adiante com isso, eu teria que admitir que eu estava realmente considerando a possibilidade de que Joe era...  bem, não... humano.
Eu apertei o enter e cliquei com o mouse no primeiro link antes que eu pudesse me convencer a não fazer isso.
ANJOS CAÍDOS: A ATERRORIZANTE VERDADE
Na criação do jardim do Éden, anjos celestiais foram mandados à Terra para zelar por Adão e Eva. Logo, contudo, alguns anjos colocaram seus olhos no mundo além das paredes do jardim. Eles se viram como os futuros governantes da população da Terra, cobiçando poder, dinheiro, e até mesmo mulheres humanas. Juntos eles tentaram e convenceram Eva a comer o fruto proibido, abrindo os portões guardando o Éden. Como punição por esse grave pecado e por abandonarem seus deveres, Deus arrancou as asas dos anjos e os baniu à Terra para sempre.
Eu pulei alguns parágrafos, meu coração batendo erraticamente. Anjos caídos são os mesmos espíritos malignos (ou demônios) descritos na Bíblia que possuem corpos humanos. Anjos caídos vagam pela Terra procurando por corpos humanos para molestar e controlar. Eles tentam humanos a fazer coisas más ao comunicarem pensamentos e imagens diretamente à suas mentes. Se um anjo caído tiver sucesso em tornar um humano maligno, ele pode entrar no corpo do humano e influenciar a personalidade e as ações dele ou dela.
Contudo, a possessão de um corpo humano por um anjo caído só pode se dar durante o mês judaico de Cheshvan. Cheshvan, conhecido como “o mês amargo”, é o único mês sem quaisquer feriados ou jejuns judaicos, tornando-o um mês não-sagrado. Entre as luas nova e cheia durante o Cheshvan, anjos caídos invadem corpos humanos em rebanho.
Meu olhar hesitou no monitor do computador por alguns minutos após eu terminar de ler.
Eu não tinha pensamentos. Nenhum. Somente uma complexidade de emoções deturpada dentro de mim. Frio, um espanto assustado e mau presságio entre eles.
Um tremor involuntário despertou meus sentidos. Eu me lembrei das poucas vezes em que tive certeza de que Joe tinha rompido os métodos normais de comunicação e sussurrado diretamente para a minha mente, exatamente como o artigo clamava que anjos caídos podem fazer. Comparando essa informação com as cicatrizes de Joe, seria possível... o Joe podia ser um anjo caído? Ele queria possuir o meu corpo?
Eu olhei rapidamente pelo resto do artigo, diminuindo quando lia algo ainda mais bizarro.
Anjos caídos que tem um relacionamento sexual com um humano produzem uma prole sobre-humana chamada nephilim. A raça nephilim é uma maligna e anormal e nunca deveria habitar a Terra. Apesar de muitos acreditarem que o Dilúvio no tempo de Noé teve a intenção de limpar a Terra dos nephilim, não temos jeito de saber se essa raça híbrida morreu e se os anjos caídos continuaram ou não a se reproduzir com humanos desde então. Parece lógico que eles continuassem, o que quer dizer que a raça nephilim provavelmente está na Terra hoje.
Eu me empurrei da mesa. Eu comprimi tudo que tinha lido em uma pasta mental e a arquivei. E carimbei ASSUSTADOR no lado de fora da pasta. Eu não queria pensar nisso agora. Eu analisaria isso depois. Talvez.
Meu celular tocou no meu bolso e eu pulei.
“Nós decidimos que abacates são verdes ou amarelos?” Miley perguntou. “Eu já preenchi toda a quota de frutas verdes de hoje, mas se você me disser que abacates são amarelos, estou dentro.”
“Você acredita em super-heróis?”
“Depois de ver o Tobey Maguire em Homem-Aranha, sim. E então tem o Christian Bale. Mais velhos, mas gostoso pra caramba. Eu o deixaria me resgatar de ninjas empunhando espadas.”
“Estou falando sério.”
“Eu também.”
“Quando foi a última vez que você foi na Igreja?” eu perguntei.
Eu a escutei estourar um chiclete. “Domingo.”
“Você acha que a Bíblia é precisa? Quero dizer, você acha que é real?"
“Eu acho que o Pastor Calvin é gostoso. Num jeito de quarentão. Isso basicamente sintetiza a minha convicção religiosa.”
Após eu ter desligado, eu fui para o meu quarto e deslizei para debaixo das cobertas. Eu peguei um cobertor extra para repelir o frio repentino. Eu não tinha certeza se o quarto estava frio, ou se a sensação gelada originava-se de dentro de mim. Palavras assombradas como "anjo caído," “possessão humana,” e “Nephilim” dançaram até eu dormir.

18 de jun de 2013

Capitulo 18

Na viagem de volta, Joe pegou a saída para Topsham e estacionou ao lado da histórica fábrica de papel Topsham na margem do rio Androscoggin. Certa vez a fábrica tinha sido usada para transformar a polpa das árvores em papel. Agora uma placa grande atravessava o lado do prédio e dizia CERVEJARIA SEA DOG CO. O rio era largo e agitado, com árvores antigas margeando os dois lados. Ainda estava chovendo forte, e a noite tinha caído ao nosso redor. Eu tinha que dar um toque pra minha mãe em casa. Eu não tinha contado a ela que eu ia sair por que... Bem, a verdade é que o Joe não é o tipo de cara que as mães gostam. Ele é o tipo de que faz com que elas troquem as fechaduras da casa.
“Podemos fazer um lanchinho?” eu perguntei.
O Joe abriu a porta do lado do motorista. “Alguma coisa em particular?”
“Um sanduíche de peru. Mas sem picles. Oh, e sem maionese.”
Eu podia dizer que ganhei um de seus sorrisos que nunca chegavam à superfície. Parece que eu ganho muito desses. Desta vez, eu não descobri o que eu tinha falado para merecer.
“Vou ver o que posso fazer,” ele disse, deslizando para fora.
Joe deixou as chaves na ignição e o aquecedor ligado. Nos primeiros minutos eu revi nossa tarde muito longe na minha mente. E então isso me lembrou de que eu estava sozinha no Jeep do Joe. Seu espaço privado. Se eu fosse o Joe, e eu quisesse esconder uma coisa muito secreta, não poderia ser no meu quarto, no meu armário da escola, nem mesmo na minha mochila, todos esses lugares podiam ser confiscados ou sofrer uma busca sem aviso prévio. Eu esconderia no meu Jeep preto brilhante com um sofisticado sistema de alarme.
Eu tirei meu cinto de segurança e remexi na pilha de livros didáticos próximos ao meu pé, sentindo um sorriso misterioso fluir na minha boca ao pensar em descobrir um dos segredos do Joe. Eu não estava esperando encontrar nada em particular; eu deveria ter procurado a combinação do seu armário ou o número do seu celular. Mexendo em uns papéis antigos da escola bagunçando os tapetes do chão, eu encontrei um perfumador de ambiente de pinho meio usado, um CD do AC/DC Highway to Hell, tocos de lápis e um recibo de uma 7-Eleven com a data de quarta feira às 10:18 P.M. Nada especialmente surpreendente ou revelador.
Eu abri o porta-luvas e fucei através do manual do carro e outros documentos oficiais. Tinha um brilho de cromado e meus dedos roçaram em um metal. Eu puxei uma lanterna de aço e a liguei, mas nada aconteceu. Eu desparafusei o fundo, achando que a lanterna tinha um pouco de luz, e com certeza, não tinha baterias. Eu me perguntei por que Joe tinha uma lanterna que não funcionava guardada em seu porta-luvas. Foi o último pensamento que tive antes que meus olhos pousassem em um líquido áspero que tinha secado na ponta da lanterna.
Sangue. Muito cuidadosamente, eu guardei a lanterna no porta-luvas e a fechei fora do meu alcance de visão. Eu disse a mim mesma que havia muitas coisas que poderiam levar a ter sangue em uma lanterna. Como segurá-la com uma mão machucada, usá-la para empurrar um animal morto para fora da estrada… bater com força em um corpo até que a pele se rasgue.
Com meu coração batendo forte, eu pulei na primeira conclusão que se apresentou. Joe tinha mentido. Ele tinha atacado a Taylor. Ele tinha me deixado na noite de quarta, trocado a moto pelo Jeep, e saiu procurando ela. Ou talvez seus caminhos se cruzaram por acaso e ele agiu por impulso. De qualquer maneira, Taylor estava machucada, a polícia está envolvida e Joe era o culpado.
Racionalmente, eu sei que isso era uma conclusão precipitada e um grande salto, mas emocionalmente, as apostas eram altas demais para voltar e pensar sobre isso. Joe tinha um passado assustador e muitos, muitos segredos. Se violência brutal e sem sentido era um deles, eu não estava segura saindo sozinha com ele.
Um flash de luz no horizonte. O Joe saiu do restaurante e correu pelo estacionamento segurando uma sacola marrom em uma mão e dois refrigerantes na outra. Ele foi em direção ao lado do motorista e subiu no Jeep. Ele ergueu o boné e esfregou a chuva de seu cabelo. Ondas escuras saiam para todos os lados. Ele me passou a sacola marrom.
“Um sanduíche de peru, sem maionese e picles, e alguma coisa para segurá-lo embaixo.”
“Você atacou a Taylor Swift?” eu perguntei calmamente. “Eu quero a verdade... agora.”
O Joe abaixou sua 7UP da boca. Seus olhos cortaram os meus. “O que?”
“A lanterna no seu porta-luvas. Explique.”
“Você abriu meu porta-luvas?” Ele não pareceu aborrecido, mas também não pareceu satisfeito.
“A lanterna tem sangue seco nela. A polícia veio na minha casa mais cedo. Eles acham que eu estou envolvida. Taylor foi atacada na noite de quarta feira, logo depois que eu te disse que não a suportava.”
Joe deu uma risada curta, sem humor. “Você acha que eu usei a lanterna para bater na Taylor.”
Ele procurou atrás do banco e tirou uma arma grande. Eu gritei.
Ele se inclinou e tampou minha boca com sua mão. “Arma de Paintball,” ele disse. Seu tom era gelado.Eu dividi os olhares entre a arma e o Joe, sentindo muito branco ao redor dos meus olhos.
“Eu joguei paintball no começo dessa semana,” ele disse. “Achei que já tínhamos superado isso.”
“I...Isso não explica o sangue na lanterna.”
“Não é sangue,” ele disse, “é tinta. Estávamos jogando Pega Bandeira.”
Meus olhos voltaram-se para o porta-luvas que guardava a lanterna. A lanterna era... A bandeira. Uma mistura de alívio, idiotice e culpa por ter acusado o Joe nadou através de mim. “Oh,” eu disse lamentando. “Eu... sinto muito.”
Mas parecia um pouco tarde para desculpas. Joe ficou olhando diretamente para frente através do pára-brisa, respirando profundamente. Eu me perguntei se ele estava usando o silêncio para deixar sair um pouco da raiva. Afinal eu o tinha acusado de atacar uma pessoa. Eu me sentia horrível por isso, mas minha mente estava muito atrapalhada para pedir desculpas corretamente.
“Pela descrição que você fez da Taylor, parece que ela provavelmente tem alguns inimigos,” ele disse.
“Tenho certeza que a Miley e eu estamos no topo da lista,” eu disse, tentando melhorar o ambiente, mas tinha um fundo de verdade. Joe estacionou na casa da fazenda e desligou o carro. Seu boné estava quase em cima de seus olhos, mas agora sua boca tinha uma sugestão de sorriso. Seus lábios pareciam macios e suaves e eu estava tendo dificuldades para desviar meu olhar. O melhor de tudo é que eu estava grata por ele parecer ter me perdoado.
“Vamos ter que trabalhar mais no nosso jogo de bilhar, Anjo,” o Joe disse.
“Por falar em bilhar.” Eu limpei minha garganta. “Eu gostaria de saber onde e quando você vai querer aquela... coisa que lhe devo.”
“Não essa noite.” Seus olhos assistiam os meus de perto, julgando minha resposta. Eu tinha sido pega entre o alívio da minha mente e desapontamento. Mas a maior parte era desapontamento.
“Eu tenho uma coisa para você,” Joe disse. Ele procurou debaixo do seu assento e puxou uma sacola de papel branca com pimentas vermelhas impressa. Uma embalagem para viagem da Borderline. Ele colocou entre nós.
“Pra que isso?” eu perguntei, espreitando dentro do saco, sem ter absolutamente nenhuma ideia do que teria lá dentro.
“Abra.”
Eu puxei uma caixa de papelão marrom para fora do saco e levantei a tampa. Dentro tinha um globo de neve com a miniatura do Parque de Diversões Delphic Seaport dentro. Fios de bronze foram torcidos formando um círculo para a roda gigante e para os loopings da montanha russa; chapas de metal manchado faziam o Tapete Mágico.
“É lindo,” eu disse, um pouco confusa por ele me comprar um presente. “Obrigada. De verdade. Eu adorei.”
Ele tocou o vidro curvado. “Aqui é o Arcanjo, antes de ser remodelado.” Atrás da roda gigante, um fio fino com fitas formava os montes e vales do Arcanjo. Um anjo com as asas quebradas estava no ponto mais alto, sua cabeça inclinada, olhando para baixo, sem olhos. “O que realmente aconteceu na noite que fomos nela juntos?” eu perguntei.
“Você não quer saber.”
“Se você me disser, vai ter que me matar?” eu meio que brinquei.
“Não estamos sozinhos,” Joe respondeu, olhando através do para-brisa.
Eu olhei para cima e vi minha mãe parada na porta de entrada aberta. Para meu horror, ela saiu e andou em direção ao Jeep.
“Deixe-me conduzir a conversa,” eu disse, guardando o globo de neve de volta na caixa. “Não fale nada. Nenhuma palavra!”
Joe saiu e deu a volta para minha porta. Nós encontramos minha mãe no meio do caminho da entrada de carros.
“Eu não sabia que você ia sair,” ela me disse, sorrindo, mas não de um jeito relaxado. Era uma sorriso que dizia, Vamos conversar mais tarde.
“Foi meio que de última hora,” eu expliquei.
“Eu vim direto para casa depois da yoga,” ela disse. O resto estava implícito. Sorte minha, mas não para você. Eu estava contando com ela ter saído para tomar um suco com suas amigas depois da aula. Nove de dez vezes ela ia. Ela virou sua atenção para o Joe. “É bom finalmente te conhecer. Aparentemente minha filha é uma grande fã sua.”
Eu abri minha boca para uma introdução extremamente concisa e mandar o Joe pegar seu caminho, mas minha mãe se adiantou. “Eu sou a mãe da Demi. Diana Lovato.”
“Esse é o Joe,” eu disse, acelerando meu cérebro para dizer alguma coisa que parasse rapidamente com as gentilezas. Mas a únicas coisas que eu podia pensar era gritar Fogo! ou fingir uma crise. De algum jeito, as duas opções pareciam mais humilhantes que enfrentar uma conversa entre minha mãe e o Joe.
“Demi me disse que você é um nadador,” mamãe disse.
Eu senti o Joe se mexer com uma risada ao meu lado. “Um nadador?”
“Você está no time de natação da escola, ou em uma liga da cidade?”
“É mais... por diversão,” Joe disse, me dando um olhar questionador.
“Bem diversão também é bom,” mamãe disse. “Onde você nada? No centro recreativo?”
“Sou mais um cara tipo ao ar livre. Rios e lagos.”
“Não é frio?” mamãe perguntou.
Ao meu lado, o Joe sacudiu. Perguntei-me o que tinha perdido. Nada sobre a conversa parecia fora do comum. E eu estava do lado da minha mãe nessa. Maine não era um lugar tropical, quente. Nadar ao ar livre era frio, mesmo na época do verão. Se Joe era realmente um nadador ao ar livre, ou ele era louco ou tinha um alto limiar de dor.
“Certo!” eu disse, tirando proveito da calmaria. “Joseph precisa ir.” Vá! eu fiz com a boca para ele.
“É um Jeep bem legal,” mamãe perguntou. “Seus pais compraram para você?”
“Eu mesmo peguei.”
“Você deve ter um emprego bom.”
“Eu sirvo mesas no Borderline.”
Joseph estava dizendo o mínimo possível, mantendo-se cuidadosamente misterioso. De volta na minha mente, eu não podia parar de pensar no seu passado assustador. Até agora eu tinha fantasiado sobre descobrir seus segredos mais profundos e escuros porque eu queria provar para mim mesma e para o Joseph que eu era capaz de sacá-lo. Mas agora eu queria saber seus segredos porque eles eram parte dele. E sem contar o fato que eu rotineiramente tentava negar que eu sentia algo por ele. Quanto mais tempo eu passava com ele, mais eu sabia que esses sentimentos não iam embora.
Mamãe fez uma careta. “Espero que o trabalho não atrapalhe os estudos. Pessoalmente, não acho que estudantes do colegial deveriam trabalhar durante o ano escolar. Vocês já têm muitas coisas.”
Joe sorriu. “Isso não tem sido um problema.”
“Se importa se eu perguntar seu rendimento escolar?” Mamãe disse. “Seria muito rude?”
“Caramba! Está ficando tarde...“, eu comecei a falar alto, consultando o relógio que eu não estava usando. Eu não podia acreditar que minha mãe estava sendo tão mala sobre isso. Era um mau sinal. Isso só dizia que sua primeira impressão do Joe era pior que eu temia. Isso não era uma apresentação. Era uma entrevista.
“Dois-ponto-dois,” Joe disse.
Minha mãe olhou para ele.
“Ele está brincando,” eu disse baixinho. Eu dei um empurrão discreto no Joe em direção ao Jeep. “Joseph tem coisas para fazer. Lugares para ir. Pool para jogar....“ Eu coloquei minha mão na boca.
“Jogar?” minha mãe disse, parecendo confusa.
“Demi se referia ao Bo’s Arcade,” Joe explicou. “Mas não é para lá que estou indo. Eu tenho alguns assuntos para resolver.”
“Nunca estive no Bo’s,” ela disse.
“Não é tão bom assim,” eu disse. “Você não está perdendo nada.”
“Espere,” mamãe disse, soando como se uma bandeira vermelha tivesse surgido em sua memória. “É fora da costa? Perto do Delphic Seaport? Não houve um tiroteio no Bo’s alguns anos atrás?”
“Lá está mais domesticado do que costumava ser,” Joe disse. Eu estreitei meus olhos para ele. Ele tinha me ferrado. Eu tinha planejado mentir sobre o Bo’s ter qualquer histórico de violência.
“Você gostaria de entrar e tomar sorvete?” Mamãe perguntou, soando abafada, pega entre fazer uma coisa educada e agir sob o impulso de me levar para dentro e trancar a porta. “Nós temos apenas de baunilha,” ela adicionou para azedar o convite. “Está há algumas semanas aberto.”
Joe balançou a cabeça. “Eu tenho que ir andando. Talvez na próxima vez. Foi um prazer te conhecer, Diana.”
Eu peguei a interrupção da conversa como minha deixa e empurrei minha mãe para a porta da frente, aliviada que a conversa não tinha sido tão ruim como poderia ter sido. De repente mamãe se virou.
“O que você e Demi fizeram essa noite?” ela perguntou para o Joe.
Joe olhou para mim e ergueu suas sobrancelhas ligeiramente.
“Nós jantamos em Topsham,” eu respondi rapidamente. “Sanduíches e refrigerantes. Uma noite puramente inofensiva.”
O problema era que meus sentimentos por Joe não eram inofensivos.


Vou ver se posto mais alguns, to sem sono hoje kk, obrigada a todos por comentarem e tal. Já estamos na metade da fic e tal, e vou colocar uma enquete pra ver se querem continuação ou outra história, anyway, até mais pessoal s2
Comentarios respondidos aqui

12 de jun de 2013

Capítulo 17



Houve uma chuva fria durante todo o dia de sábado e eu me sentei perto da janela olhando ela cair sobre a crescente poças de lama no chão. Eu tinha uma velha cópia de Hamlet no meu colo, uma caneta atrás da minha orelha, e um copo vazio de chocolate quente aos meus pés. O documento com as perguntas compreensão de leitura sobre a mesa, estava tão vazio como agora, quando a Sra. Lemon entregou em sala de aula há dois dias. Isso foi ruim. Minha mãe tinha ido para sua aula de ioga há quase trinta minutos, e apesar de eu ter praticado algumas maneiras diferentes de dar a notícia da minha saída com Joseph, não cheguei a lugar algum. Eu disse-me que não era algo importante. Eu já tenho dezesseis anos e eu posso decidir quando sair de casa. Perfeito. Agora eu teria que pagar minha culpa a noite toda. Quando o relógio do hall tocou anunciando 4:30, felizmente deixei o livro de lado e corri para o meu quarto. Eu passei quase o dia todo fazendo minha lição de casa e trabalho doméstico, o que tinha mantido os meus pensamentos longe da reunião de hoje à noite. Mas agora que estava no minuto final, os nervos de antecipação superaram tudo. Eu não queria pensar sobre, Joe e eu tínhamos negócios inacabados. O nosso último beijo foi subitamente cortado. Mais cedo ou mais tarde o nosso beijo seria resolvido. Eu não tinha dúvida de quanto ele queria que se resolvesse, só não me esqueceria de estar pronta para o que quer que aconteça hoje à noite. Além de tudo isso, o aviso de Miley não ajudava em nada já que continuava a aparecer como uma bandeira vermelha em minha mente: “Fique longe de Joe”. Eu estava em pé diante do espelho olhando o que eu usava.
A maquiagem era mínima, reduzido a uma única passada de rímel. O cabelo emaranhado, mas e se estivesse estranho? Passei pouco brilho em meus lábios. Eu lambi meus lábios para os deixar com aparência úmida. Isso me fez pensar mais sobre o meu quase-beijo com Joe, e eu tive um ataque involuntário de calor. Se um quase-beijo poderia fazer isso comigo, eu me perguntava o que poderia acontecer com um beijo “completo”.
Minha reflexão sorriu.
“Não é grande coisa” – disse a mim mesma analisando os meus brincos. O primeiro par era grande, longo e turquesa... e me fez ver como eu estava trabalhando demais. Coloquei-a de lado e tentei novamente com pequenas gotas de opala. Melhor. Fiquei imaginando que Joe tinha em mente. Jantar? Um filme?
“É como uma aula de biologia” – eu disse indiferentemente a minha reflexão. – “Apenas sem a parte de biologia, e da classe”.
Eu coloquei na minha calça jeans e sapatos tubo bailarina. Envolvi um lenço de seda azul céu em volta da minha cintura, por cima do meu tronco. Então eu amarrei por atrás de meu pescoço, deixando a blusa estilo frente única. Eu balancei meu cabelo e depois ouvi batidas na porta.
“Já vou.” Corri para a escada a baixo. Eu verifiquei uma última vez que estive no espelho do corredor, em seguida, abri a porta e encontrei dois homens em casacos pretos na varanda.
“Demetria Lovato.” Disse o detetive Basso, segurando seu distintivo da polícia.
“Nós nos encontramos de novo.” Levei um tempo para encontrar a minha voz.
“O que você está fazendo aqui?” Ele apontou para o lado com a cabeça.
“Você se lembra de meu parceiro Detetive Bait, e se importa se fizermos algumas perguntas?” Isso soava como se estivesse pedindo permissão. De fato, soou quase como um ameaça.
“Sobre o que?” Perguntei, quebrando o meu olhar entre os dois.
“Sua mãe está em casa?” Perguntou o detetive Basso.
“Ela está na yoga. Por quê? O que está acontecendo?” Eles arrastaram os pés e entraram na casa.
“Você pode nos dizer o que aconteceu entre você e Taylor Swift na biblioteca, na tarde de quarta-feira?” Detetive Bait perguntou e se sentou confortável no sofá. Detetive Basso permaneceu de pé, examinando cuidadosamente as fotografias de família sobre a mesa. Suas palavras levaram um momento para serem registradas em meu cérebro. A biblioteca. Na tarde de quarta-feira. Taylor.
“Taylor está bem?” Eu perguntei. Não era nenhum segredo que Taylor não ocupava um espaço uma caloroso e amoroso em meu coração. Mas isso não significa que eu queria vê-la em problemas ou, pior, em perigo. E, especialmente, não queria que ela parada em qualquer problema que possa me deixar envolvida. O detetive Basso colocou as mãos nos quadris.
“O que faz você pensar que ela não está se sentindo bem?”
“Eu não fiz nada para Taylor.”
“Por que vocês duas estavam discutindo?” - O outro detetive perguntou: - “O guarda me disse que na saída biblioteca as coisas estavam ficando ruim entre vocês”
“Não é assim.”
“Como foi?”
“Nós dissemos algumas coisas uma a outra.” Eu disse, na esperança de explicar.
“Que coisas?”
“Coisas estúpidas,” disse em retrospecto.
“Eu preciso ouvir essas coisas, Demi.”
“Eu a relacionei com suínos anoréxicos.” Meu rosto estava queimado e minha voz saiu humilhada. Se a situação não fosse tão grave, poderia ter desejado fazer algo mais cruel e degradante. Para não falar de algo que fazia mais sentido. Os detetives trocaram olhares.
“Teve uma ameaça?” perguntou Detetive Bait.
“Não.”
“O que você fez após a biblioteca?”
“Vim para casa.”
“Você continuou com a Taylor?”
“Não. Como eu disse. Eu vim para casa. Vão me dizer o que aconteceu com Taylor?”
“Há alguém que possa verificar isso?”, Perguntou o detetive Basso.
“Meu companheiro de biologia. Me encontrou na biblioteca e se ofereceu para me levar para casa.”
Eu tinha um ombro apoiado nas portas que dava para a sala de estar, e o detetive Basso andou e mudou-se para um lado oposto, na minha frente.
“Vamos ouvir o que você diz sobre esse parceiro de Biologia.”
“Que tipo de pergunta é essa?” Ele estendeu as mãos.
“É uma questão bastante básica. Mas se você quiser perguntas mais específicas que posso fazer. Quando eu estava na escola, geralmente oferecia carona para as meninas em que eu estava interessado. Vamos dar um passo além. Qual é o seu relacionamento com seu parceiro... fora da sala de aula de biologia?”
“Você está brincando, certo?” Um lado da boca do detetive Basso ficou rosa.
“Isso é o que eu pensava. Você e seu namorado bateram em Taylor Swift?”
“Taylor foi espancada?”
Ele deixou a porta e se posicionou diretamente em frente de mim.
“Você queria mostrar o que acontece com as meninas quando elas não mantém a boca fechada? Você acha que ela merecia alguns arranhões? Eu conheci meninas como Taylor quando eu estava na escola. Elas merecem não é? O que Taylor merecia, Demetria? Alguém bateu nela na noite de quarta-feira e eu acho que você sabe mais do que quer admitir.”
Eu estava tentando duramente suprimir os meus pensamentos. Com medo que de alguma forma estes fossem refletidas na minha cara. Talvez tenha sido uma coincidência que na mesma noite em que eu reclamei para Joe sobre Taylor, ela apanhou. Mas da mesma forma, talvez fosse ele... ou não.
“Nós vamos ter de conversar com seu namorado,” disse o detetive Bait.
“Ele não é meu namorado. E meu companheiro de biologia.”
“Ele está vindo para cá agora?” Eu sabia que deveria ser direta. Mas, pensando bem, não podia aceitar que Joe poderia ferir Taylor. Taylor não era o melhor tipo de pessoa e tinha ganhado um monte de inimigos. Alguns desses inimigos talvez fossem capazes de tal brutalidade. Mas Joe não era um deles. A brutalidade sem sentido não era o seu estilo.
“Não,” eu disse. Detetive Basso deu-me um sorriso.
“Se arruma para uma noite em casa?”
“As vezes,” eu disse, com o mais frieza com que me atrevi a responder. O detetive Bait puxou um pequeno caderno de um dos bolsos do casaco. Ele abriu e pegou uma caneta.
“Nós vamos precisar do seu nome e do seu número.”
Dez minutos depois de os detetives terem ido embora, um Jeep Commando preto chegou em minha casa. Joe correu através da chuva para a varanda, vestindo jeans, botas e camisa cinza escuro térmica.
“Carro novo?” Eu perguntei depois que eu abri a porta. Um misterioso sorriso surgiu.
“Eu ganhei ele um par de noites atrás em um jogo de bilhar.”
“Alguém aposta um carro?”
“Ele não estava muito feliz com isso. Estou tentando ficar longe de becos escuros pelos próximos dias.”
“Ouviu falar de Taylor Swift?” Eu falei ali mesmo, esperando que a pergunta o pegasse de surpresa.
“Não. O que aconteceu?” Sua resposta veio fácil e eu decidi que isso provavelmente significava que ele estava dizendo a verdade. Infelizmente, não sabia quando ele estava mentindo, Joe não era qualquer amador.
“Alguém bateu nela.”
“Pena.”
“Qualquer ideia de quem poderia ter feito?” Se Joe ouviu a preocupação em minha voz, não mostrou. Ele encostou na parede e passou a mão pelo queixo, pensativo.
“Não.”
Eu perguntei a mim mesma se eu pensei que ele estava escondendo algo. No entanto, detectar coisas nunca foi meu forte. Eu nunca tive muita experiência em fazer isso. Normalmente eu confiava nas pessoas ao meu redor... normalmente. Joe estacionou o Jeep por trás da Bo’s Arcade. Quando chegamos à frente da fila, o caixa fixou os olhos em mim e depois em Joe, uma e outra vez, como se tentasse encontrar uma conexão.
“Que é?” Disse Joe, e lançou três bilhetes de entrada sobre a mesa.
O caixa fez o seu olhar penetrante sobre mim. Ele percebeu que eu não conseguia parar de olhar para o molde de tatuagens verdes que cobria cada centímetro de seus braços. Ele moveu um pouco de chiclete? tabaco? Para o outro lado do seu lábio inferior e disse, “Você perdeu alguma coisa?”
“Só gostei de sua tatu...” Comecei. Ele me mostrou os dentes afiados como um cão.
“Eu não acho que ele gostou de mim,” sussurrei para Joe quando estávamos a uma distância segura.
“O Bo não gosta de ninguém.”
“Quem é Bo? Bo do Bo’s Arcade?”
“Este é Bo’s Arcade Junior. Bo pai morreu há vários anos.”
“Como?” Eu perguntei.
“Briga de bar.”
Eu senti uma vontade inquietante de correr na direção do Jeep e sair rapidamente do estacionamento.
“Aqui é seguro?” Eu perguntei.
Joe olhou para os lados. “Anjo.”
“Só perguntei.” A parte debaixo com as mesas de bilhar parecia exatamente como na primeira noite que eu vim. As paredes pretas pintadas de cinza escuro. Mesas vermelhas no meio da sala. Mesas de poker espalhadas ao redor dos cantos. Lâmpadas de luz baixa curvando pelo teto. O cheiro dos cigarros congestionando o fluxo aéreo. Joe escolheu a mesa mais distante da escada. Ele pediu dois refrigerantes 7UP e os destampou na borda da mesa.
“Eu nunca joguei bilhar.” Confessei.
“Escolha um taco.” Ele apontou para o aparador de varas embutido na parede. Eu levantei um e trouxe-o para nossa mesa. Joe passou a mão sobre a boca para sorrir.
“O que?” Eu disse.
“Você não pode marcar um Home Run em bilhar.”
“Sem Home Run. Entendido.” Seu sorriso alargou.
“Você está segurando o taco como um bastão de beisebol.” Eu olhei para minhas mãos. Ele estava certo. Eu estava segurando-o como um bastão.
“Assim fica mais confortável.” Ele mudou-se atrás de mim, pôs as mãos nos meus quadris e me posicionou na frente da mesa. Deslizou as mãos em volta de mim e tomou o taco de sinuca.
“Assim...”, disse ele, reorganizando a minha mão direita até a poucos centímetros.
“E... assim,” continuou, levando a minha mão esquerda em um círculo com o polegar e o indicador. Ele então colocou sua mão esquerda sobre a mesa. Como um tripé. Ele empurrou a ponta do taco de bilhar no meio do círculo e sobre a junta do meu dedo médio.
“Dobre sua cintura.” Eu inclinei em direção à mesa de bilhar, seu hálito aquecendo minha garganta. Ele puxou para trás o taco de sinuca e levou-o através do círculo.
“Em que bola quer bater?”, perguntou, referindo-se ao triângulo de bolas acomodados no final da mesa. “O amarelo da frente parece uma boa escolha.”
“Vermelho é minha cor favorita.”
“Então, será a vermelha.” Joe levou o taco para trás e através do círculo, apontando para a bola, praticando. Eu mirei a bola branca para dentro do triângulo mas ela foi parar além da mesa.
“Foi um pouco desviado,” ele disse. Senti-me sorrir.
“O que quer apostar?”
“Cinco dólares.” Eu senti ele balançando a cabeça suavemente.
“Seu casaco.”
“Você quer o meu casaco?”
“Eu quero ver você tira-lo.”
Meu braço se moveu para trás e disparou o taco de sinuca com meus dedos, batendo na bola. Em seguida, atirou a bola para a frente, batendo a bola vermelha, destruindo o triângulo, deixando as bolas bagunçadas em todos os sentidos.
“Ok,” eu disse, tirando minha jaqueta jeans.
“Eu posso dizer que estou um pouco chocado.” Joe examinou meu lenço de seda/camisa halter. Seus olhos eram negros como o mar à meia-noite, a expressão contemplativa. “Muito bom,” disse ele. Em seguida, passou-se à volta da mesa, observando a posição onde as bolas estavam.
“Cinco dólares que você não pode bater a azul.” Eu disse, selecionando a bola que foi separada da bola branca para um monte de bolas de outras cores.
“Eu não quero seu dinheiro,” disse Joe. Nossos olhos se encontraram e a menor das covinhas apareceu em seu rosto. Minha temperatura subiu um grau.
“Então o que você quer?” Eu perguntei. Joe abaixou o seu taco de sinuca para a mesa, tomou impulso e golpeou forte a bola branca. No instante que a bola branca golpeou a verde, esta golpeou por sua vez a bola oito e com o impulso bateu limpamente na azul. Eu soltei um riso nervoso e tentei encobrir o meu toque dos dedos. Um mau hábito não posso desfazer.
“Ok, talvez eu esteja mais do que um pouco impressionada.” Joe ainda estava debruçado sobre a mesa e então olhou para mim. Seus olhos aqueceram minha pele.
“Nós nunca apostamos tudo,” disse. Resisti à vontade para mudar de posição. O taco de sinuca sentiu o aperto entre as minhas mãos e eu limpei minha mão discretamente no meu colo. Como se não fosse o bastante de transpiração, Joe disse:
“Você me deve. Algum dia eu vou cobrar.”
Eu ri, mas veio um som fora do tom. “Bem que você queria.”
Passos pesados ecoaram no piso da escada. Um rapaz alto e fibroso, com um nariz aquilino e cabelo desarrumado apareceu com uma substância negra. Olhando primeiro a Joe, em seguida, fixou os olhos em mim. Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto quando ele estendeu a mão e agarrou meu 7Up, que eu tinha deixado na beira da mesa de sinuca.
“Desculpe-me, mas eu acho que é... ” eu comecei a dizer.
“Você não mencionou que ela era tão bela aos olhos,” disse ele a Joe, limpando a boca com as costas de sua mão. Ele falou com um forte sotaque irlandês.
“Eu não mencionei que você é tão feio aos olhos também,” Patch retrucou, sua boca no estado de relaxamento que precede um sorriso. O rapaz inclinou-se sobre a mesa de sinuca ao lado de mim e me ofereceu sua mão.
“Meu nome é Rixon, amor.” Eu ofereci minha mão com relutância.
“Demi.”
“Estou interrompendo alguma coisa aqui?” Rixon disse, dividindo e inquirindo um olhar entre mim e o Joe.
“Não,” eu disse ao mesmo tempo em que o Joe disse, “Sim.”
De repente Rixon de um soco de brincadeira no Joe, e os dois caíram no chão, rolando e trocando socos. Havia um o som de uma risada rude, punhos contra a carne, tecido se rasgando e as costas nuas do Joe ficaram a vista. Com dois talhos ao longo dela. Eles começavam perto dos seus rins e terminavam nas escápulas, abertos com a forma de um V invertido. As cicatrizes eram tão grotescas que quase engasguei em horror.
“Me larga!” Rixon berrou.
Joe saiu de cima dele e ficou em pé, sua camisa estava rasgada, meio aberta. Ele a arrancou e jogou numa lata de lixo no canto.
“Me dê sua camisa,” ele disse para o Rixon.
Rixon deu uma piscada para mim. “O que você acha Demi? Devo dar a camisa para ele?”
Joe deu um passo para frente como se fosse dar o bote de brincadeira e Rixon ergueu suas mãos perto de seus ombros.
“Calminha,” ele disse, indo para trás. Ele tirou seu moletom e o jogou para Joe, revelando uma camiseta justa por baixo.
Enquanto Joe descia o moletom por seu abdome forte o suficiente para borboletas voarem pelo meu estômago, Rixon virou para mim. “Ele disse como ele conseguiu esse apelido?”
“Como?”
“Antes do nosso bom amigo Joe aqui competir no bilhar, o rapaz era favorecido no boxe Irlandês. Ele não era muito bom nisso.” Rixon abanou a cabeça. “Verdade seja dita, ele era completamente patético. Eu passei muitas noites remendando ele, e logo todos começaram a chamá-lo de Joe. Eu dizia para ele desistir do boxe, mas ele não me ouvia.”
Joe olhou nos meus olhos e deu um sorriso de medalha de ouro de briga em bar. Apenas o sorriso era assustador o suficiente, mas embaixo da fachada, tinha uma nota de desejo. Mais que uma nota na verdade. Uma sinfonia completa de desejo. Joe inclinou sua cabeça em direção às escadas e ergueu sua mão para mim. “Vamos dar o fora daqui,” ele disse.
“Onde estamos indo?” eu perguntei, com meu estômago descendo aos joelhos.
“Você vai ver.”
Enquanto nós subíamos as escadas, Rixon falou alto para mim, “Boa sorte com esse aí, querida!”


Varios capitulos estão prontos, o problema é a escola e os comentarios u-u aushaus
o encontro deles ainda não terminou mas pelo menos entrou o novo personagem, Rixon 
Já está um pouco perto da revelação do segredo de Joseph para a Demi, ansiosas?
Se comentarem eu posso postar alguns capitulos amanhã, uns 4 ou 5.
Como foram o dia dos namorados de vocês? o meu foi bem inutil com muito chocolate kkk
É isso, até o próximo pessoal <3

Comentários respondidos aqui

Selinho


Como Funciona:

- Escrever 11 coisas sobre seu próprio blog.
- Responder a 11 perguntas feitas pelo blog que o indicou.
- Fazer 11 perguntas para quem for indicar.
- Indicar 11 blogs com menos de 200 seguidores.

Onze coisas sobre o Sussurrante Jemi:
1.       Esse é meu segundo blog, o outro eu abandonei, tabem sobre fic da Demi e Joe
2.       Tenho preguiça em aprender html, os layouts são frees mais alguns eu personalizo ou pego algumas bases
3.       As vezes tenho vontade de excluir esse blog por falta de comentarios
4.       Tenho ótimas ideias de fics, porém não consigo passar pro papel ou word
5.       Provavelmente próximas fics serão adaptações ou de outros blog, mas sempre será creditado.
6.       Fico no blog por hobby, diversão, vício, mas nunca por obrigação
7.       Acho que falta comentarios aqui
8.       A meta do blog é de 50 seguidores
9.       Meu plano para o futuro é escrever uma fic inteiramente minha, nesse dia eu ficarei bem orgulhosa de mim mesma k
10.   Fico super feliz e animada quando vejo mais de um comentario do blog sobre a fic
11.   Não consigo durar muito com um layout

Perguntas do Henrique Montoya
1.       Pra você, o seu blog é uma obrigação ou um passa tempo?
Passa tempo
2.       O que acha sobre seus leitores? E qual a importância que eles tem para você?
Eles são muito lindos porém fantasmas D: . Meus leitores são super importantes pra mim porque estou repassando essa incrivel história para eles e que se apaixonem como eu me apaixonei.
3.       Você se importa com a opinião dos seus leitores sobre o seu blog?
Eu me importo muito mesmo
4.       Se a lua tem massa equivalente a 10px e o sol tem tamanho 1000x500px, qual éo tamanho do seu cabeçalho? (essa pergunta é para física blogosférica rsrs)
Não sei kk
5.       O que sonha para o seu blog?
Meta de seguidores comprida, muitas fics, melhoras ao decorrer da experiencia e fics de autoria minha
6.       O que você mais gosta de postar no seu blog?
Fics k
7.       Qual sua opinião sobre a blogosfera atual?
Está bem avançada e com liberdade total aos que se interessam e muitos blogs que ajudam a ter um blog melhor, assim como tutoriais para personalificação bem uteis
8.       Um grande motivo que não te deixa comprar um domínio personalizado para seu blog? (Imagine que você pudesse)
Falta de tempo para aproveitar
9.       Qual o blog que você mais visita?
Empire Jemi, Kawaii Word, e
10.   Qual sua dica para os blogs novos na blogosfera?
Divulgue bem seu blog
11.   Qual seu maior sonho?
Me formar em psicologia e ter minha própria clínica.

 Perguntas feitas por Empire Jemi:
1.       Gosta de azeitona? 
Não D:
2.       Porque não gosta de azeitona? :(((( é tão bom ksjdbzlx, eu sei que você não gosta u-u
Tem um gosto ruim na minha opinião u_u aushaush
3.       Gosta mais de que tipo de fic's? Ex.: hot, romance, drama, ficção, etc.
Romance fictício e com alguns hot’s –v- aushaushuahs
4.       O que é mais inspirador pra você?
Livros, filmes e música
5.       Já pensou algum momento em largar seu blog?
Penso todo dia
6.       O que mais gosta de fazer em seu tempo livre?
Ler
7.       Já imaginou sua vida igual ao conteúdo de alguma FanFic? 
Sim, ao da minha agora *-* aushaushauhs
8.       O que mais odeia quando uma autora faz na fanfic?
Fica enrolando muito pra terminar a fic e acaba sendo sem graça
9.       Prefere ler ou escrever?
Ler
10.   Cite algo que te inspirou em sua fanfic atual.
Livro e anjos caidos *-* aushas
11.   O que mais reserva para sua vida?
Meus conhecimentos u_u aushauhsuash

11 perguntas de Inimigo Perfeito:
1.       Qual historia do seu blog vc mais gosta?
A única que tem é a atual kk
2.       Um filme?
Uma prova de amor
3.       Quem mais vc gosta além da Demi?
Sou apaixonada pelo Joe Jonas
4.       Qual a sua musica preferida no momento?
Legião Urbana – Meu erro
5.       Quando criou o blog
 28 de fevereiro de 2013
6.       Que series gosta de assistir?
The big bang theory, 2 broke girls, house, law e order  SVU, etc
7.       Idade?
17 anos
8.       animal preferido?
Panda e cachorro *-*
9.       cidade ?
Candanga
10.   Quais as fics mais gosta de ler?
Empire Jemi, Letters, Jemi - Sorry, I love you e Oh, You Should Be Jealous
11.   cor favorita?
Roxo, azul e preto

Minhas perguntas:

  1. Visita mais blogs de html ou de fanfic?
  2. Niley ou Nelena?
  3. Qual sua inspiração?
  4. Qual a melhor fic que já leu?
  5. Qual blog você mais admira?
  6. Quais as 3 músicas que não pode faltar no seu dia?
  7. Oque te alegra no blog?
  8. Qual a maior dificuldade de começar um blog?
  9. Oque faz no seu tempo livre?
  10. Qual a melhor fic que tem no seu blog?
  11. Se acha uma boa escritora?

Obrigada a todos esses blogs pelo selinho, vou postar o capitulo hahah





1 de jun de 2013

Capitulo 16


Miley estava encostada no meu armário, rabiscando no seu personagem com um marcador roxo.
“Oi,” ela disse quando não havia mais nada no corredor entre nós.
“Onde você esteve? Eu chequei o laboratório do eZine e a biblioteca.”
“Eu tive uma reunião com a Srta. Greene, a nova psicóloga da escola.” Eu disse muito normalmente, mas por dentro, eu tinha um sentimento oco e trêmulo. Eu não conseguia parar de pensar no Elliot invadindo a minha casa. O que o impediria de fazer isso novamente? Ou de fazer alguma coisa pior?
“O que aconteceu?” a Miley perguntou.
Eu girei a combinação do meu armário e tirei os livros. “Você sabe quanto um alarme bom custa?”
“Sem ofensas, babe, mas ninguém vai roubar seu carro.”
Eu atirei um olhar negro para a Miley. “É para minha casa. Eu quero ter certeza que o Elliot não entre novamente.”
Miley olhou em volta e limpou sua garganta.
“O que?” eu disse.
Miley levantou as mãos. “Nada. Nadinha mesmo. Se você ainda está empenhada em jogar isso no Elliot... Esta é a sua prerrogativa. É uma prerrogativa louca, mas hey, é sua.”
Eu bati a porta do meu armário para fechar e o barulho ecoou pelo corredor. Eu engoli uma resposta acusadora que de todas as pessoas ela deveria acreditar em mim e no lugar disso eu disse, “Estou indo para a biblioteca, estou meio que com pressa.”
Nós saímos do prédio e cruzamos a área em direção ao estacionamento e eu fiz isso brevemente. Eu olhei em volta procurando o Fiat, mas foi quando eu me lembrei que mamãe tinha me deixado a caminho do trabalho essa manhã. E com o braço quebrado da Miley, ela não estava dirigindo.
“Droga,” a Miley disse, lendo meus pensamentos, “estamos sem carro.”
Protegendo meus olhos do sol, eu olhei para a rua. “Acho que isso significa que temos que caminhar.”
“Nós não. Você. Eu iria, mas uma vez por semana é meu limite para biblioteca.”
“Você não foi à biblioteca essa semana,” eu apontei.
“Yeah, mas talvez eu tenha que ir amanhã.”
“Amanhã é quinta-feira. Em toda sua vida, você já estudou de quinta-feira?”
Miley colocou o dedo nos lábios e fez uma expressão pensativa. “Alguma vez eu já estudei de quarta-feira?”
“Não que eu me lembre.”
“Então é isso. Eu não posso ir. Seria ir contra uma tradição.”
Trinta minutos depois eu subi as escadas indo para a porta principal da biblioteca. Uma vez lá dentro, eu coloquei meu dever de casa embaixo de uma luminária e fui direto para o laboratório de mídia, onde eu vasculhei pela internet tentando encontrar mais informações sobre o ‘Enforcamento em Kinghorn’. Eu não achei muita coisa. Inicialmente havia sido muito comentado, mas depois que o bilhete de suicídio foi descoberto e o Elliot foi solto, as notícias mudaram.
Era hora de viajar para Portland. Eu não ia aprender muito mais peneirando artigos e notícias arquivadas, mas talvez eu tivesse mais sorte dando uma voltinha por lá.
Eu saí da internet e liguei para minha mãe.
“Eu preciso estar em casa as nove hoje?”
“Sim, por quê?”
“Eu estava pensando em tomar um ônibus até Portland.”
Ela me lançou uma de suas risadas do tipo você deve achar que sou louca.
“Eu preciso entrevistar alguns estudantes na Kinghorn Preparatória,” eu disse. “É para um projeto que tenho feito pesquisas.” Não era uma mentira. Não de verdade. Claro que teria sido muito mais fácil para justificar se eu não tivesse queimada pela culpa de esconder dela uma invasão e subsequentemente a visita da polícia. Eu pensei em dizer a ela, mas toda vez que eu abria minha boca para dizer as palavras, elas escapavam. Estamos lutando para sobreviver. Precisamos da renda da mamãe. Se eu falasse para ela sobre o Elliot, ela se demitiria imediatamente.
“Você não pode ir para a cidade sozinha. É uma escola noturna e em breve estará escuro. Além do mais, quando você chegar lá, os estudantes já terão saído.”
Eu suspirei. “Ok, estarei em casa em breve.”
“Eu sei que prometi uma carona pra você, mas estou presa no escritório.” Escutei ela remexer nos papéis e imaginei se ela tinha o telefone preso no queixo e o fio enrolado no seu corpo várias vezes. “Seria muito pedir para você caminhar?”
A temperatura só estava um pouquinho baixa, eu tinha minha jaqueta e duas pernas. Eu podia caminhar. O plano parecia muito mais razoável na minha cabeça, porque o pensamento de caminhar até em casa me deixava oca por dentro. Mas deixando de lado a possibilidade de passar a noite na biblioteca, eu não via outra escolha. Eu tinha quase passado pelas portas da biblioteca quando ouvi meu nome. Eu me virei e vi a Taylor Swift diminuindo a distância entre nós.
“Eu ouvi sobre a Miley,” ela disse. “É realmente triste. Quero dizer, quem a atacaria? A menos que, você sabe, eles não pudessem evitar. Talvez tenha sido em auto defesa. Ouvi dizer que estava escuro e chovendo. Seria fácil confundir a Miley com um alce. Um urso, ou um búfalo. Sério, qualquer animal pesado serviria.”
“Gosh, é bom conversar com você, mas tem muitas coisas que prefiro fazer. Como por exemplo, prender minha mão no dispositivo de lixo.” Eu continuei andando para a saída.
“Espero que ela esteja desintoxicada da comida do hospital,” Taylor disse, ainda atrás de mim. “Eu ouvi dizer que elas são ricas em gordura. Ela não pode continuar a ganhar muito peso.”
Eu dei um giro. “Chega. Mais uma palavra e eu vou…” Nós duas sabíamos que esse era um trato vazio.
Taylor deu um sorrisinho. “Você vai o que?”
“Vadia,” eu disse.
“Geek.”
“Cadela.”
“Aberração.”
“Porca anoréxica.”
“Wow,” Taylor disse, inclinando-se para trás melodramaticamente com a mão no coração. “Eu deveria supostamente estar ofendida? Avalie essa ideia. Isso é notícia velha. Pelo menos eu sei como exercitar um pouco de autocontrole.”
O segurança em pé perto da porta limpou sua garganta. “Certo, parem com isso. Vão para fora ou eu vou colocar as duas no meu escritório e ligar para os pais de vocês.”
“Fale com ela,” Taylor disse, apontando um dedo para mim. “Eu sou aquela que está tentando ser legal. Ela me atacou verbalmente. Eu estava apenas oferecendo minhas condolências à amiga dela.”
“Eu disse lá fora.”
“Você fica bem de uniforme,” Taylor disse a ele, dando um sorriso tóxico, sua marca registrada.
Ele apontou para a porta com a cabeça. “Saiam daqui.” Mas não soou metade rude.
Taylor andou casualmente para a porta. “Importa-se em segurar a porta para mim? Minhas mãos são pequenas.” Ela estava segurando um livro. Um brochura.
O guarda empurrou o botão para pessoas deficientes e as portas automaticamente se abriram.
“Obrigada por isso,” Taylor disse, jogando um beijo para ele.
Eu não a segui. Eu não sabia o que aconteceria se eu o fizesse, mas eu estava cheia de emoções negativas que eu só poderia fazer coisas que me arrependeria. Ela chamar meu nome e a briga estava abaixo de mim. A menos que eu estivesse lidando com a Taylor Swift.
Eu me virei e voltei para a biblioteca. Para o elevador, eu entrei na gaiola de metal e apertei o botão do andar subterrâneo. Eu poderia ter esperado alguns minutos a Taylor ir embora, mas eu conhecia outro caminho e resolvi ir por ele. Cinco anos atrás a cidade tinha aprovado a mudança da biblioteca pública para um prédio histórico bem no centro da Cidade Antiga Coldwater. O tijolo vermelho datava de 1850 e o prédio era completo com uma romântica cúpula e uma widow’s walk para ver os navios vindo do mar. Infelizmente, não havia estacionamento no prédio, então um túnel subterrâneo foi cavado para ligar a biblioteca com o estacionamento subterrâneo do tribunal do outro lado da rua. Agora a garagem servia aos dois prédios. O elevador chiou para parar e eu saí. O túnel era repleto de luzes fluorescentes que cintilava um roxo pálido. Levei um tempo para forçar meus pés andarem. Fui atingida pelo pensamento repentino do meu pai na noite que ele foi morto. Eu me perguntava se ele estava em uma rua remota e escura como o túnel à frente. Pare com isso, eu disse para mim mesma. Foi um ataque de violência aleatório. Você passou o último ano com paranóia de qualquer beco escuro, quarto escuro, cubículo escuro. Você não pode viver o resto da sua vida com medo de colocarem uma arma em você.
Determinada a provar que o medo estava na minha cabeça, eu andei pelo túnel, ouvindo a leve batida dos meus sapatos no concreto. Mudando minha mochila para o ombro esquerdo, eu calculei quanto tempo levaria para caminhar até em casa e, querendo ou não, eu estava pronta para tomar o atalho pelo trilho do trem agora que estava escurecendo. Esperava que se eu mantivesse meus pensamentos ocupados e otimistas, eu não teria tempo para me concentrar no meu crescente senso de alarme.
O túnel acabou e uma forma escura estava parada bem à frente.
Eu parei o passo no meio e meu coração diminuiu algumas batidas. Joe estava usando uma camiseta preta, jeans surrado, botas com ponteira de aço. Seus olhos pareciam dizer que ele não seguia as regras. Seu sorriso era muito astuto para oferecer conforto.
“O que você está fazendo aqui?” eu perguntei, tirando um punhado de cabelo do meu rosto e olhando além dele para um carro parado acima do solo. Eu sabia que estava bem em frente, mas diversas lâmpadas fluorescentes estavam queimadas, dificultando ver claramente. Se, estupro, assassinato, ou qualquer outra atividade vil estivesse na mente do Joe, ele me encurralou no lugar perfeito.
Enquanto o Joe se movia na minha direção, eu andava para trás. Eu vi minha chance e fui em direção ao carro. Tropeçando em volta, ficando do lado oposto do Joe, com o carro entre nós.
Joe olhou para mim por cima do carro. Suas sobrancelhas ergueram.
“Eu tenho perguntas,” eu disse. “Muitas.”
“Sobre?”
“Sobre tudo.”
Sua boca torceu e eu tinha certeza que ele estava tentando não sorrir. “E se minhas respostas não machucarem, você vai dar um tempo nisso?” Ele fez um gesto em direção à saída da garagem. Esse era o plano. Mais ou menos. Tirando alguns grandes problemas, como o fato do Patch ser muito mais rápido que eu.
“Vamos ouvir as perguntas,” ele disse.
“Como você sabia que eu estava na biblioteca esta noite?”
“Pareceu-me um bom palpite.”
Por nenhum momento eu acreditei que o Joe estava aqui por pressentimento. Ele tinha um lado que era quase predatório. Se as forças armadas soubessem dele, fariam de tudo para recrutá-lo. Joe precipitou-se para a esquerda. Eu contrapus seu movimento, correndo para a traseira do carro. Quando o Joe arremeteu, eu também o fiz. Ele estava na frente do carro e eu estava na traseira.
“Onde você estava domingo a tarde?” eu perguntei. “Você me seguiu enquanto eu fazia compras com a Miley?” O Joe poderia não ser o cara da máscara de esqui, mas não significa que ele não tivesse envolvido nos recentes acontecimentos perturbadores. Ele estava escondendo alguma coisa de mim. Ele estava escondendo alguma coisa de mim desde o dia que nos encontramos. Era uma coincidência que o último dia normal da minha vida tinha sido antes daquele dia fatídico? Eu acho que não.
“Não. E a propósito, como foi? Comprou alguma coisa?”
“Talvez,” eu disse fora de guarda.
“Como?”
Eu pensei naquele dia. Eu e Miley só tínhamos ido até a Victoria’s Secret. Eu tinha gastado trinta dólares em um sutiã preto rendado, mas eu não ia chegar aí. Em vez disso eu contei sobre a minha tarde, começando com o sentimento de eu estar sendo seguida e acabando comigo encontrando a Miley na calçada, vítima de um assalto.
“Bem?” Eu exigi quando terminei. “Você tem alguma coisa para dizer?”
“Não.”
“Você não tem ideia do que aconteceu com a Miley?”
“Novamente, não.”
“Eu não acredito em você.”
“Isso é porque você tem problemas de confiança.” Ele espalmou as duas mãos no carro, inclinando no capô. “Já passamos por isso.”
Eu senti meu temperamento faiscar. Joseph tinha mudado a conversa de novo. No lugar de iluminar ele, o holofote estava direcionado para mim. Eu não gosto especialmente de ser lembrada que ele sabia todo o tipo de coisa sobre mim. Coisas particulares. Como meu problema de confiança.
Joe andou repentinamente para o sentido horário. Eu corri dele, parando quando ele o fez. Quando estávamos parados novamente, seus olhos prenderam os meus, quase como se ele estivesse tentando descobrir qual seria meu próximo movimento para fugir dele.
“O que aconteceu no Archangel? Você me salvou?” eu perguntei.
“Se eu tivesse te salvado, não estaríamos aqui tendo essa conversa.”
“Você quis dizer se você não tivesse me salvado não estaríamos aqui. Eu estaria morta.”
“Não foi isso que eu disse.”
Eu não fazia ideia do que ele quis dizer. “Por que não estaríamos aqui?”
“Você estaria aqui.” Ele pausou. “Eu provavelmente não.”
Antes que eu pudesse descobrir o sobre que ele estava falando, ele se atirou para mim novamente, dessa vez atacando pela direita. Momentaneamente confusa, eu deixei diminuir a distância entre nós. Em vez de parar, Joe contornou o carro. Eu saí correndo direto para a garagem. Eu tinha passado três carros antes de ele agarrar meu braço. Ele me virou e me apoiou contra uma viga de cimento.
“Tanta coisa por aquele plano,” ele disse.
Eu olhei para ele. Acredito que havia muito pânico por trás disso. Por um instante ele deu um sorriso transbordante com intenções obscuras, confirmando que eu tinha razão para estar suando.
“O que está acontecendo?” eu disse, trabalhando duro para não parecer hostil. “Como eu posso jurar ouvir sua voz na minha cabeça? E por que você disse que veio para escola por minha causa?”
“Eu estava cansado de admirar suas pernas à distância.”
“Eu quero a verdade.” Eu engoli em seco. “Eu mereço toda a revelação.”
“Toda a revelação,” ele repetiu com um sorriso astuto. “Isso tem alguma coisa a ver com a promessa que você fez de me expor? Sobre o que exatamente estamos falando aqui?”
Eu não conseguia me lembrar do que estávamos falando. Tudo que eu sabia era que o olhar do Joe era especialmente quente. Eu tinha que quebrar o contato visual, então eu mandei meus olhos para minhas mãos. Elas estavam cintilantes com o suor e eu as escondi atrás das minhas costas.
“Eu tenho que ir,” eu disse. “Tenho dever de casa.”
“O que aconteceu lá dentro?” Ele indicou os elevadores com o queixo.
“Nada.”
Antes que eu pudesse impedi-lo, ele tinha a palma da minha mão pressionada na dele, formando um campanário com elas. Ele escorregou os dedos entre os meus, me prendendo a ele. “Suas articulações são brancas,” ele disse, roçando sua boca nelas. “E você saiu parecendo possessa.”
“Me solta. E eu não estava possessa. Não de verdade. Se você me der licença, eu tenho dever de casa...“
“Demi.” Joe disse meu nome suavemente, mas ainda com cada intenção de conseguir o que queria.
“Eu tive uma briga com a Taylor Swift.” Eu não fazia ideia de onde a confissão tinha vindo. A última coisa que eu queria era dar ao Joe outra janela para dentro de mim. “Ok?” Eu disse, com uma nota de exasperação na minha voz. “Satisfeito? Você pode, por favor, me deixar ir agora?”
“Taylor Swift?”
Eu tentei soltar meus dedos, mas Joe tinha uma ideia diferente.
“Você não conhece a Taylor?” Eu disse cinicamente. “Difícil de acreditar, considerando que um: você cursa o Colégio Coldwater. E dois: você tem um cromossomo Y.”
“Conte-me sobre a briga,” ele disse.
“Ela chamou a Miley de gorda.”
“E?”
“Eu a chamei de porca anoréxica.”
Parecia que o Joe estava tentando não abrir um sorriso. “É isso? Sem socos? Sem mordidas, apertões e puxões de cabelo?”
Eu estreitei um olhar para ele.
“Vamos ter que te ensinar a lutar, Anjo?”
“Eu posso lutar.” Eu ergui meu queixo apesar da mentira.
Desta vez ele não se importou em segurar um sorriso.
“Na verdade, eu tenho aulas de boxe.” Kickboxing. No ginásio. Uma vez.
Joe ergueu suas mãos como um alvo. “Dê-me um soco. O mais forte que conseguir.”
“Eu... não sou fã de violência desnecessária.”
“Estamos sozinhos aqui.” As botas do Joe estavam niveladas com a ponta dos meus sapatos. “Em cara como eu poderia tirar vantagem de uma garota como você. Melhor me mostrar o que você consegue.”
Eu andei para trás e a moto preta do Joe entrou no meu campo de visão.
“Deixe-me te dar uma carona,” ele ofereceu.
“Eu vou caminhar.”
“Está tarde e escuro.”
Ele tinha razão. Eu gostando ou não.
Mas internamente eu tinha sido colocada a força num jogo de cabo de guerra. Em primeiro lugar eu tinha sido idiota em ir andando para casa e agora eu estava presa entre duas decisões ruins: carona com o Joe, ou o risco de ter alguém pior por aí.
“Estou começando a pensar que a única razão para você continuar a me oferecer uma carona é porque você sabe que eu não sou apaixonado por essa coisa.” Eu soltei um suspiro nervoso, eu enfiei o capacete e montei atrás dele. Não era minha culpa que eu estava pertinho dele. O assento não era exatamente espaçoso.
Joseph fez um som baixinho de diversão. “Eu posso pensar em algumas outras razões.”
Ele acelerou pela garagem, indo em direção a saída. Uma cancela automática branca e vermelha barrava a saída. Eu estava me perguntando se Joe diminuiria a velocidade o suficiente para colocar o dinheiro na máquina, quando ele desacelerou a moto, me jogou para mais próximo dele. Ele colocou o dinheiro na máquina e acelerou a moto para a saída.
Joe guiou sua moto para a entrada da minha garagem e eu segurei nele para manter meu equilíbrio enquanto eu descia. Eu devolvi o capacete.
“Obrigada pela carona,” eu disse.
“O que você vai fazer no sábado a noite?”
Um tempo de pausa. “Eu tenho um encontro com o habitual.”
Isso pareceu acender seu interesse. “O habitual?”
“Lição de casa.”
“Cancele.”
Eu estava me sentindo muito mais relaxada. Joseph era quente e sólido e seu cheiro era fantástico. Como hortelã e terra escura. Ninguém tinha pulado em nós na volta para casa e todas as janelas do andar inferior da casa da fazenda brilhavam com a luz. Pela primeira vez durante o dia todo eu me senti segura. Exceto que o Joe tinha me encurralado em um túnel escuro e estava possivelmente me perseguindo. Talvez não tão segura.
“Eu não saio com estranhos,” eu disse.
“É uma ótima coisa para se fazer. Eu te pego às cinco.”


Boa noite, mudei de layout denovo e ai? asuhauheuhauheau, adoro os lays da Thais <3
Próximo capitulo é o encontro jemi, animadas? auuahsa
 Até o próximo capitulo s2